Correio Braziliense - 03/05/2013
Terminado o período chuvoso, os níveis dos reservatórios das principais hidrelétricas das regiões Sudeste e Centro-Oeste deixaram para trás o quadro crítico — abaixo de 30% — verificado no começo de janeiro, o pior em 12 anos. Com percentuais de armazenagem de água variando de 40% a 83%, garantidos não só por São Pedro, mas, sobretudo, pelo acionamento excepcional, desde outubro, de todas as termelétricas, o risco de racionamento chega menor na estiagem. Esse esforço coordenado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) para não repetir o apagão de 2001 ficou, contudo, bem mais caro que o esperado pelo governo.
O peso da energia térmica, bem mais cara que a hidrelétrica, vinha sendo bancado pelas distribuidoras e já ultrapassou a média mensal de R$ 1 bilhão — em abril, chegou a R$ 1,5 bilhão. Mas, ontem, o governo federal autorizou o repasse de R$ 2,056 bilhões a elas para cobrir parte dos custos de janeiro, fevereiro e março. Os valores pagos a mais e acumulados de outubro a dezembro, por sua vez, serão repassados às contas de luz em 2014, praticamente eliminando o recente desconto médio de 18% no valor das tarifas. "Apesar de os reservatórios estarem em situação mais confortável, o ONS continuará recorrendo às térmicas para buscar margem de segurança no ano que vem", afirmou o consultor João Carlos Mello.
Segundo o especialista, a intensidade das chuvas do próximo verão será decisiva para deixar os prognósticos dos anos seguintes mais otimistas, quando deverão também entrar em operação grandes hidrelétricas no Norte, como Belo Monte, no Pará. "De toda forma, o país estará gastando em torno de R$ 12 bilhões anuais para não passar apertos em 2014, ano de eleições e Copa do Mundo." Nos últimos meses, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, rechaçou as ameaças de apagão por falta de energia em 2013 e no próximo ano.
"Os reservatórios do Sudeste estão com um nível médio de 62% e vamos indo de vento em popa", declarou o diretor-geral do ONS, Hermes Chipp. O período normal para recomposição dos reservatórios das hidrelétricas termina no começo de maio e não há perspectiva de desligamento de térmicas antes do fim do semestre. Chipp espera que a linha de transmissão que levará a energia produzida pelas usinas Santo Antonio e Jirau, ambas em Rondônia, ao Sudeste entre em operação em julho.
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