UM DIA ÀS ESCURAS
Autor(es): Antunes e Rafael
O Globo - 07/05/2013
Temporal afeta fornecimento de energia em pelo menos 17 bairros por até 14 horas
Os cariocas, já indefesos diante dos temporais que desabam sobre a cidade quase sempre no horário da volta para casa, foram surpreendidos ontem com uma tempestade, no início da manhã, que trouxe novamente o caos, dessa vez em forma de falta de luz. Moradores de pelo menos 17 bairros ficaram sem energia por até 14 horas, como aconteceu no Cosme Velho. Choveram reclamações dos consumidores contra a Light, pela morosidade para restabelecer o serviço e por não prestar informações. Fora da capital, cidades da Baixada e da Região dos Lagos também ficaram sem luz.
Na Rua Timóteo da Costa, no Alto Leblon, onde a luz só voltou à noite, as reclamações foram muitas. Zelador de um prédio, Raimundo Inácio de Lima contou que, por volta das 8h, um transformador estourou na altura do número 297, após a queda de um galho. Uma jovem que passava na calçada foi atingida, mas sofreu apenas arranhões. Com a falta de luz, porteiros recorreram às lanternas para ajudar os condôminos a usarem as escadas.
- Ligamos para a Light às 7h30m, e eles não deram previsão para o conserto - reclamou, por volta das 16h, Antônio Luiz da Silva, também zelador de um prédio da Timóteo da Costa.
A falta de informação também foi motivo de reclamações.
- A Light não informa quando a energia volta. Da última vez que isso ocorreu, há três semanas, ficamos 13 horas sem luz - protestou um morador
crea faz críticas
O presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RJ), Agostinho Guerreiro, criticou a Light pela demora nos reparos. Ele atribuiu os problemas à falta de investimentos. Segundo Guerreiro, a Light não cumpre o que foi acertado quando houve a privatização.
- A Light não está investindo à altura de uma cidade como o Rio, nem a manutenção é feita de forma adequada para suprir a demanda. Não é raro vermos problemas em equipamentos que entram em pane, transformadores que explodem. Não é normal. Um transformador não explodirá com uma manutenção adequada - disse ele, criticando o fato de a maior parte da cidade ainda ser abastecida por fiação aérea. - Basta cair um galho ou um poste para faltar luz.
A cidade amanheceu com rajadas de ventos de até 93km/h. Segundo a Comlurb, 101 árvores caíram. Muitas delas desabaram sobre a fiação aérea.
Em Santa Teresa, bombeiros ajudaram a retirar galhos sobre a fiação da Rua Paula Matos. Problemas semelhantes interromperam o fornecimento em trechos de Botafogo, Cosme Velho, Jardim Botânico, Gávea, Laranjeiras, Leblon, Barra, Tijuca, Méier, Jacarepaguá, Pavuna, Irajá, Guadalupe, Olaria, Penha, Campo Grande e Bangu.
Com tantas árvores caídas, ruas de vários bairros ficaram fechadas ou tiveram interdições parciais, como aconteceu na Barra, onde duas faixas da Avenida Ayrton Senna (sentido Linha Amarela) ficaram obstruídas por uma árvore.
Na Avenida Borges de Medeiros, na Lagoa, uma árvore caiu sobre um ponto de ônibus, mas não houve feridos. Outra desabou sobre a linha férrea e interrompeu a circulação na Linha 2 do metrô por 20 minutos, entre Coelho Neto e Pavuna.
A falta de energia afetou ainda os sinais, deixando o trânsito caótico. Na Avenida Visconde de Albuquerque, no Leblon, um sinal piscava com as três cores ao mesmo tempo. Segundo a CET-Rio, houve falhas em 75 luminosos.
À noite, o diretor de Distribuição da Light, José Humberto Castro, admitiu que a concessionária demorou "mais que o normal" para fazer os reparos e atribuiu a responsabilidade às fortes rajadas de vento. Ele rebateu as críticas do Crea, afirmando que, apenas em 2012, a empresa investiu na rede R$ 700 milhões, "três vezes mais do que era investido no passado":
- Os ventos fortes duraram das 5h às 9h, com a queda de árvores muito grandes. Foi uma situação atípica. Demoramos mais pelas características do temporal. Foram derrubados até postes. Botamos 160 equipes nas ruas, mas as operações de reparo eram grandes e demoradas, pois foi preciso mobilizar os bombeiros para serrar as árvores.
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