Notícias do setor
15/05/2013
PSR sugere comparação de metodologia CVaR Custo com alternativas antes de implantação

PSR sugere comparação de metodologia CVaR Custo com alternativas antes de implantação
Implementação de aversão ao risco como determinado pela Resolução nº 3 do CNPE impactará PLD e agentes
Carolina Medeiros, da Agência CanalEnergia, do Rio de Janeiro, Operação e Manutenção
14/05/2013

A nova metodologia a ser adotada para a formação de preços, que vai internalizar os mecanismos de aversão ao risco, como prevê a resolução CNPE 03, deve ser testada com outras metodologias antes da implantação prevista para agosto, segundo a PSR. A PSR realizou nesta terça-feira, 14 de maio, no Rio de Janeiro, um workshop técnico com o objetivo de analisar alternativas de implementação de esquemas de aversão ao risco nos modelos computacionais para a operação e formação de preços, bem como quantificar seus impactos. Foram discutidas a Superficie de Aversão ao Risco (SAR), a representação de restrições de confiabilidade de suprimento através de Conditioned Value at Risk  (CVaR-Déficit) e a ponderação do valor esperado e CVaR nos custos operativos (CVaR-custo).
As análises realizadas no workshop mostraram que a SAR e o CVaR-déficit têm características atraentes em termos de facilidade de implementação, desempenho computacional e interpretação dos resultados. Por esta razão, a PSR considera ser importante que estas alternativas metodológicas sejam comparadas antes da escolha definitiva. "Diante da importância da metodologia escolhida para a própria otimização da operação do sistema e, através dos preços resultantes, para vários parâmetros críticos do modelo setorial, é fundamental que as alternativas metodológicas sejam analisadas em maior profundidade antes da escolha definitiva", comentou Mario Veiga, presidente da PSR.
A empresa mostrou preocupação com o prazo de 31 de julho para que a nova metodologia entre oficialmente em funcionamento. "Este período demanda, além da implementação do modelo, um conjunto bastante extenso de testes e calibrações, em colaboração com o ONS e agentes e é bastante apertado", complementou Mário Veiga. "Embora a PSR venha defendendo desde há muito tempo um aperfeiçoamento do processo de formação de preços, acreditamos que fazê-lo sem uma análise ponderada dos prós e contras de diferentes metodologias pode ser pouco eficaz, e até mesmo contraproducente, para o setor", complementa Mario Veiga. Como discutido no Workshop, um possível argumento para não se ampliar o prazo é que é sempre possível aperfeiçoar, ou até mesmo substituir, metodologias no futuro. No entanto, a experiência mostra que, uma vez implementada uma solução, passa a ser muito difícil modificá-la.
Como o ONS e Cepel vêm desenvolvendo a CVaR Custo há alguns anos, a expectativa inicial é que essa metodologia seja adotada. Mas a PSR alerta para a existência de outras opções, como a SAR - Superfície de Aversão ao Risco - e a CVaR déficit, ambas com vantagens em relação a CVaR Custo que devem ser consideradas. "Esperamos oito anos para incluir essa metodologia na formação de preço e a gente sabe que se não fizer certo agora, vai demorar para que a metodologia seja ajustada novamente", comentou Veiga.
Todas as metodologias testadas pela PSR possuem o efeito prático de elevar o despacho antecipado das termelétricas para aumentar a segurança de suprimento, com impactos em elevação do PLD e redução do ESS. A PSR realizou uma série de análises para o SIN com o PMO de Março de 2013 utilizando seu modelo de despacho hidrotérmico SDDP e mostrou que, para o ano de 2013, a metodologia de aversão ao risco CVaR-custo pode reduzir em R$ 700 milhões o ESS, como era o objetivo da resolução do CNPE. Porém a tarifa das distribuidoras aumentaria de qualquer forma. A PSR utilizou como exemplo a tarifa da CPFL Piratininga (SP) que ficaria este ano, pelo modelo atual, em R$ 241/MWh, e com a aplicação da CVaR Custo, em R$ 252/MWh, diferença de R$ 11/MWh. A diferença se deve à transferência para o contrato das concessionárias do custo das térmicas que estavam sendo pagos com o ESS.
"O ESS vira custo operativo térmico. Além disso, ainda deve-se considerar a disponibilidade das cotas e a exposição das distribuidoras", analisou  Bernardo Bezerra, gerente de Projetos da PSR, acrescentando que a CVaR Custo aumenta a parcela do custo da energia para a distribuidora. "O caso da CPFL Piratininga ilustra bem a complexidade do problema. Todo o ganho que se imaginava ter com a retirada do ESS será reduzido com a compra de energia por parte das distribuidoras", completou Veiga.
A PSR inicialmente calibrou os parâmetros de aversão ao risco de forma a se obter a mesma segurança de suprimento do procedimento atual para o despacho hidrotérmico, onde a segurança de suprimento é medida através do risco de déficit e o cálculo da política operativa de considerar a CAR plurianual e a simulação operativa aplicada ao Procedimento Operativo de Custo Prazo (POCP). A PSR determinou quais parâmetros de aversão devem ser utilizados de forma a se obter o mesmo nível de risco aceitável pela operação atual.
Outra consequência da CVaR Custo, segundo Bezerra, é o aumento do risco da exposição das hidrelétricas a PLDs elevados. Se essa metodologia for utilizada, o custo médio de uma UHE, de acordo com a PSR, pode aumentar em R$ 8/MWh com compra de energia no curto prazo. "O PLD fica mais elevado quando as hidrelétricas produzem menos. Com a CVaR, o PLD no período seco será mais alto do que é hoje", analisou.
O Workshop  mostrou que a representação da aversão ao risco na otimização da operação afetará não somente os custos operativos como vários parâmetros críticos do modelo setorial, como o cálculo da garantia física e o critério de planejamento (que iguala o valor esperado dos custo marginais de operação e expansão), que por sua vez possuem impactos diretos nos leilões de energia nova.
A análise conceitual de alternativas metodológicas para a formação de preços com aversão ao risco foi também tópico do Energy Report da PSR de Maio. Para adquirir o Energy Report,

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