PSR sugere comparação de metodologia CVaR Custo com alternativas antes de implantação
Implementação de aversão ao risco como determinado pela Resolução nº 3 do CNPE impactará PLD e agentes
Carolina Medeiros, da Agência CanalEnergia, do Rio de Janeiro, Operação e Manutenção
14/05/2013
A nova metodologia a ser adotada para a formação de preços, que vai internalizar os mecanismos de aversão ao risco, como prevê a resolução CNPE 03, deve ser testada com outras metodologias antes da implantação prevista para agosto, segundo a PSR. A PSR realizou nesta terça-feira, 14 de maio, no Rio de Janeiro, um workshop técnico com o objetivo de analisar alternativas de implementação de esquemas de aversão ao risco nos modelos computacionais para a operação e formação de preços, bem como quantificar seus impactos. Foram discutidas a Superficie de Aversão ao Risco (SAR), a representação de restrições de confiabilidade de suprimento através de Conditioned Value at Risk (CVaR-Déficit) e a ponderação do valor esperado e CVaR nos custos operativos (CVaR-custo).
As análises realizadas no workshop mostraram que a SAR e o CVaR-déficit têm características atraentes em termos de facilidade de implementação, desempenho computacional e interpretação dos resultados. Por esta razão, a PSR considera ser importante que estas alternativas metodológicas sejam comparadas antes da escolha definitiva. "Diante da importância da metodologia escolhida para a própria otimização da operação do sistema e, através dos preços resultantes, para vários parâmetros críticos do modelo setorial, é fundamental que as alternativas metodológicas sejam analisadas em maior profundidade antes da escolha definitiva", comentou Mario Veiga, presidente da PSR.
A empresa mostrou preocupação com o prazo de 31 de julho para que a nova metodologia entre oficialmente em funcionamento. "Este período demanda, além da implementação do modelo, um conjunto bastante extenso de testes e calibrações, em colaboração com o ONS e agentes e é bastante apertado", complementou Mário Veiga. "Embora a PSR venha defendendo desde há muito tempo um aperfeiçoamento do processo de formação de preços, acreditamos que fazê-lo sem uma análise ponderada dos prós e contras de diferentes metodologias pode ser pouco eficaz, e até mesmo contraproducente, para o setor", complementa Mario Veiga. Como discutido no Workshop, um possível argumento para não se ampliar o prazo é que é sempre possível aperfeiçoar, ou até mesmo substituir, metodologias no futuro. No entanto, a experiência mostra que, uma vez implementada uma solução, passa a ser muito difícil modificá-la.
Como o ONS e Cepel vêm desenvolvendo a CVaR Custo há alguns anos, a expectativa inicial é que essa metodologia seja adotada. Mas a PSR alerta para a existência de outras opções, como a SAR - Superfície de Aversão ao Risco - e a CVaR déficit, ambas com vantagens em relação a CVaR Custo que devem ser consideradas. "Esperamos oito anos para incluir essa metodologia na formação de preço e a gente sabe que se não fizer certo agora, vai demorar para que a metodologia seja ajustada novamente", comentou Veiga.
Todas as metodologias testadas pela PSR possuem o efeito prático de elevar o despacho antecipado das termelétricas para aumentar a segurança de suprimento, com impactos em elevação do PLD e redução do ESS. A PSR realizou uma série de análises para o SIN com o PMO de Março de 2013 utilizando seu modelo de despacho hidrotérmico SDDP e mostrou que, para o ano de 2013, a metodologia de aversão ao risco CVaR-custo pode reduzir em R$ 700 milhões o ESS, como era o objetivo da resolução do CNPE. Porém a tarifa das distribuidoras aumentaria de qualquer forma. A PSR utilizou como exemplo a tarifa da CPFL Piratininga (SP) que ficaria este ano, pelo modelo atual, em R$ 241/MWh, e com a aplicação da CVaR Custo, em R$ 252/MWh, diferença de R$ 11/MWh. A diferença se deve à transferência para o contrato das concessionárias do custo das térmicas que estavam sendo pagos com o ESS.
"O ESS vira custo operativo térmico. Além disso, ainda deve-se considerar a disponibilidade das cotas e a exposição das distribuidoras", analisou Bernardo Bezerra, gerente de Projetos da PSR, acrescentando que a CVaR Custo aumenta a parcela do custo da energia para a distribuidora. "O caso da CPFL Piratininga ilustra bem a complexidade do problema. Todo o ganho que se imaginava ter com a retirada do ESS será reduzido com a compra de energia por parte das distribuidoras", completou Veiga.
A PSR inicialmente calibrou os parâmetros de aversão ao risco de forma a se obter a mesma segurança de suprimento do procedimento atual para o despacho hidrotérmico, onde a segurança de suprimento é medida através do risco de déficit e o cálculo da política operativa de considerar a CAR plurianual e a simulação operativa aplicada ao Procedimento Operativo de Custo Prazo (POCP). A PSR determinou quais parâmetros de aversão devem ser utilizados de forma a se obter o mesmo nível de risco aceitável pela operação atual.
Outra consequência da CVaR Custo, segundo Bezerra, é o aumento do risco da exposição das hidrelétricas a PLDs elevados. Se essa metodologia for utilizada, o custo médio de uma UHE, de acordo com a PSR, pode aumentar em R$ 8/MWh com compra de energia no curto prazo. "O PLD fica mais elevado quando as hidrelétricas produzem menos. Com a CVaR, o PLD no período seco será mais alto do que é hoje", analisou.
O Workshop mostrou que a representação da aversão ao risco na otimização da operação afetará não somente os custos operativos como vários parâmetros críticos do modelo setorial, como o cálculo da garantia física e o critério de planejamento (que iguala o valor esperado dos custo marginais de operação e expansão), que por sua vez possuem impactos diretos nos leilões de energia nova.
A análise conceitual de alternativas metodológicas para a formação de preços com aversão ao risco foi também tópico do Energy Report da PSR de Maio. Para adquirir o Energy Report,
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