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29/05/2013
Gasto com subsídios sobe 36% na Argentina

Autor(es): Por César Felício | De Buenos Aires
Valor Econômico - 28/05/2013
A crise do setor energético na Argentina fez a despesa do Estado com subsídios aumentar 36%, em dólares, nos primeiros quatro meses deste ano, em relação ao primeiro quadrimestre do ano passado. A Argentina gasta cerca de 4% do PIB com repasses do Estado para empresas estatais e concessionárias em setores onde há atraso tarifário.
Na área de energia elétrica, há tarifas congeladas desde 2002, mesmo com uma inflação real na Argentina da ordem de 25% ao ano, segundo estimativas privadas (não há número oficial aceito pelos agentes econômicos). O impacto nos balanços das distribuidoras de energia é brutal: a Edenor, empresa de capital argentino, teve um prejuízo equivalente a US$ 99,7 milhões no primeiro trimestre deste ano. No mesmo período em 2012, o prejuízo havia sido da ordem de US$ 20,7 milhões. A Edesur, controlada pela italiana Enel, dobrou suas perdas, de US$ 36,7 milhões para US$ 73,9 milhões.
No vermelho, as empresas atrasam o pagamento pela energia que adquirem das geradoras, um negócio intermediado pela estatal Cammesa. Para impedir que o país entre em colapso, a Cammesa tolera a inadimplência das distribuidoras. E o prejuízo da estatal é suprido pelo governo argentino, sob a forma de subsídio.
De acordo com a Asap, uma organização não governamental que analisa a execução orçamentária do governo da presidente Cristina Kirchner, o gasto com a Cammesa aumentou do equivalente a US$ 1 bilhão no primeiro quadrimestre do ano passado para US$ 1,8 bilhão até o último dia 30 de abril.
Segundo a Asap, o gasto com subsídios foi equivalente a US$ 5,6 bilhões em quatro meses. O resultado do primeiro quadrimestre não pode ser projetado para o resto do ano, porque a despesa com subsídios é altamente sazonal: ela costuma ser muito maior de abril em diante, em função das importações de gás natural durante o inverno. A Argentina é cada vez mais dependente da compra de gás boliviano, em função da queda acentuada de produção que marca o país desde o início do atraso tarifário.
O país deixou de fornecer gás para os mercados brasileiro e chileno na década passada, e a estatal YPF recebeu ontem uma condenação de um tribunal de arbitragem internacional, sendo obrigado a pagar US$ 1,5 bilhão para a TGM e a Aesu, donas do gasoduto que liga Argentina e Brasil. Segundo um documento divulgado por oito ex-ministros da Energia, as importações de petróleo e gás natural foram de US$ 9,5 bilhões em 2012 e podem aumentar mais de 50% neste ano.
Segundo o documento, a produção de petróleo na Argentina caiu todos os meses do ano desde maio de 2003, o que significa 120 quedas consecutivas. No caso do gás, de acordo com o texto, os resultados são negativos em todos os meses desde o início de 2004. Segundo os ex-ministros, em 2012 a Argentina produziu 75% do petróleo que havia extraído em 2003 e 87% do gás.

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