Autor(es): Altamiro Silva Júnior
O Estado de S. Paulo - 29/05/2013
País recebe elogios do Banco Mundial pelo uso de energia renovável; China e Estados Unidos lideram em consumo
O Brasil é o sétimo maior consumidor de energia e 99% da população tem acesso a esse serviço, porcentual que afasta o país da lista dos 20 mercados com os piores déficits energéticos do mundo. A Índia lidera o ranking, que tem basicamente países da África e Ásia, como Filipinas, Congo, Etiópia e Indonésia, de acordo com o estudo do Banco Mundial divulgado ontem. Já China e Estados Unidos encabeçam o ranking dos maiores consumidores globais.
Só EUA e China respondem por cerca de 40% do consumo primário de energia no mundo, e o grupo dos 20 maiores consumidores responde por 80%. A equipe do Banco Mundial destaca que é nesse grupo que os esforços para aumentar a geração de energia renovável de fontes não tradicionais precisam ser concentrados. Considerando o período de 1990 a 2010, o Brasil tem a décima maior demanda mundial por energia básica.
Já nos países com situação mais precária, a Índia é o destaque isolado, com 306 milhões sem acesso. O país lidera também o ranking de países com acesso ruim à energia gerada por combustíveis líquidos e gasosos, como gás natural e diesel. Na África, a expansão da rede não tem acompanhado o crescimento da população, ao contrário de outras regiões.
A Índia, apesar de ainda ter o pior déficit de energia, é o país que tem conseguido avançar mais em acesso à eletricidade. De 1990 a 2010, conseguiu levar energia a cerca de 24 milhões de pessoas por ano. A China vem a seguir, com 12,9 milhões. O Brasil é o sexto, com 2,8 milhões. Em 1990, 93% da população tinha acesso a energia, e em 2010 já eram 99%.
Já no ranking de países que melhoraram o acesso a combustíveis não sólidos - também liderado pela Índia -, o Brasil é o terceiro lugar. Por ano, 3,1 milhões de pessoas tem recebido acesso a esse tipo de energia em média desde 1990.
Elogios. O Brasil é o terceiro país com maior crescimento do consumo de energia renovável é recebeu elogios do Banco Mundial por aumentar a geração por meio de outras fontes renováveis, como biocombustíveis e lixo. A energia renovável responde por 18% da matriz mundial de energia e a China e os Estados Unidos lideram o crescimento da produção desse tipo de energia. Mas a meta da Organização das Nações Unidas (ONU) de dobrar esse porcentual até 2030 pode também não ser alcançada.
A participação da energia renovável na matriz energética tem crescido no mundo, notadamente a partir de 2000. O relatório observa que hoje 120 países, metade dos quais são nações em desenvolvimento, têm alguma meta relacionada à energia renovável. Além disso, 88 países adotaram incentivos para estimular esse tipo de produção.
O Brasil é citado no documento como destaque na produção de energia renovável, ao lado de Estados Unidos, Alemanha e China, sobretudo em fontes diferentes da hidrelétrica e biomassa. A produção co País tem crescido em outras fontes, sobretudo biocombustíveis, aponta o relatório.
Países do norte da Europa, como Noruega e Suécia, estão entre aqueles com maior participação desse tipo de energia na matriz de consumo, superando os 50%. O Brasil também está logo no bloco dianteiro do ranking, na casa dos 48%, por causa da energia hidrelétrica, que tem tido foco crescente também na China, aponta o estudo. Mas o documento destaca o uso pioneiro e crescente do Brasil de energia renovável vinda da cana-de-açúcar e de outras fontes alternativas.
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