Copel seria sócia minoritária na operação de aquisição. Empresas esperam que justiça libere a credores acesso a proposta
Pedro Aurélio Teixeira, da Agência CanlaEnergia, Investimentos e Finanças
03/06/2013
Após ajuizarem petição pedindo que a oferta de R$ 3,2 bilhões pelas distribuidoras da Rede Energia mais a Tangará Energia seja apreciada na próxima reunião de credores, que será realizada na quarta-feira, 5 de junho, Copel e Energisa mantem a disposição para a disputa com a CPFL e a Equatorial, que anunciaram no fim de 2012 a aquisição das distribuidoras, mas ainda não concluíram a operação. As duas empresas confiam em uma decisão favorável da justiça. Na proposta apresentada, Copel e Energisa pagariam R$ 1,8 bilhão para a Rede Energia, dos quais R$ 1,3 bilhão seriam imediatos e R$ 500 milhões parcelados em cinco anos. Fora esse montante, mais R$ 812 milhões seriam aportados para correções de obrigações perante o órgão regulador das distribuidoras e outros R$ 577 milhões em fianças e avais.
Em conferência realizada nesta segunda-feira, 3 de junho, o coordenador da operação pela Copel, Jorge Andriguetto Junior, quer que a proposta feita na última semana seja ao menos analisada na assembleia. Andriguetto quer também ter acesso aos dados das distribuidoras e lembrou que a proposta apresentada pelas empresas foi feita apenas com base em informações financeiras. "Não entendemos como verdade absoluta a exclusividade. Queremos que os credores saibam que há uma proposta que não é a exclusiva, estamos trazendo uma alternativa", explica. A oferta de aquisição está condicionada a renovação das concessões das distribuidoras.
A ideia é que da operação saia um ente privado, deixando a Copel com acionista minoritária, com cerca de 49% da sociedade e o restante ser proveniente de capital privado. "Não queremos criar uma nova estatal de distribuição para o mercado", conta Andriguetto. O diretor de Relações com Investidores da Copel, Luiz Sebastiani, não escondeu que a empresa tem interesse na Companhia Força e Luz do Oeste (PR) e na Enersul (MS), ativos próximos a sua área de concessão, o estado do Paraná. A Tangará Energia, proprietária da UHE Guaporé (MT - 138,8 MW), foi incluída no processo para dar agilidade à operação. Em abril do ano passado o presidnte da Copel, Lindolfo Zimmer, já havia revelado o interesse pela CFLO.
Se o acesso ao data room da Rede Energia for liberado, será possível um refino da proposta de aquisição. Segundo Maurício Botelho, diretor de Relações com Investidores da Energisa, que falou com a Agência CanalEnergia, a expectativa é de que não haja grandes mudanças na linha adotada pelas duas empresas. "A proposta foi feita com base nos balanços das distribuidoras. Se os balanços feitos pelos interventores estiverem corretos, não haverá grandes mudanças", contou.
A oferta também trata as concessões de maneira individual, ao contrário da feita pela CPFL / Equatorial, que comprou a holding. As propostas feitas são pelas concessões. "Estamos tratando concessão por concessão, entrando no que elas tem de compromisso junto aos credores", observa. Caso a justiça permita que a proposta consiga ser analisada pela assembleia, os credores terão até cem dias para analisá-la. Em caso de negativa, a Copel vai direcionar suas atenções para aquisições de ativos de geração e transmissão. "Se não tivermos êxito nesa operação, a Copel não vai deixar de mirar em outros ativos”, confessa Andriguetto.
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