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06/06/2013
Credores do Rede fazem pressão e adiam decisão

Autor(es): Por Claudia Facchini | De São Paulo
Valor Econômico - 06/06/2013
Os credores do grupo Rede Energia exerceram ontem, durante uma assembleia que se arrastou por mais de seis horas, uma forte pressão sobre a CPFL e Equatorial, que assinaram compromisso de compra da companhia em dezembro do ano passado. Uma parte dos detentores de títulos, sobretudo de bonds estrangeiros, apoiou uma segunda proposta, divulgada há menos de uma semana pela Energisa e Copel. A oferta, que foi protocolada na Justiça na última sexta-feira, acirrou os ânimos dos participantes da assembleia, que atraiu mais de 150 pessoas a um hotel de baixo custo, no centro de São Paulo. Com dívidas em torno de R$ 6 bilhões, o Rede protagoniza uma das maiores recuperações judiciais do país.
Nos bastidores, a percepção era de que os credores deram atenção especial à oferta dos concorrentes para forçar a CPFL e Equatorial a melhorar sua proposta conjunta. O plano das duas empresas é feroz com os credores das holdings do grupo, que teriam de aceitar um desconto em torno de 85% no valor de face dos títulos.
De acordo com os cálculos de um analista, Energisa e Copel oferecem um deságio bem menor, de 37%, aos credores. Mas, em compensação, as duas empresas não assumem as holdings do grupo Rede, adquirindo apenas as oito distribuidoras que estão debaixo dessas companhias.
Já era esperado que os credores não votassem ontem sobre o plano de recuperação apresentado pela CPFL e Equatorial. Após algumas manobras, uma próxima assembleia foi marcada para o dia 3 de julho, quando então os credores terão de decidir se aceitam o acordo.
Ontem, o advogado do grupo Rede, Thomas Felsberg, anexou ao processo de recuperação judicial uma petição em que reafirma que o controlador do grupo, Jorge Queiroz, vai respeitar o contrato assinado com a CPFL e Equatorial em dezembro. Queiroz ainda tornará o acordo disponível aos interessados, em respostas às críticas de que o contrato teria sido feito às escuras. Energisa e Copel afirmam que não puderam ter acesso aos números do Rede e que, por essa razão, não apresentaram ainda uma proposta vinculante de compra dos ativos.
A realização da próxima assembleia em julho é uma meia vitória para cada um dos lados. Energisa e Copel queriam que a reunião fosse realizada no dia 11 de julho. Assim, teriam mais tempo. Equatorial e CPFL queriam que a assembleia ocorresse mais cedo, no dia 26 de junho. Segundo Felsberg, as empresas correm contra o relógio. O prazo permitido por lei para votação do plano de recuperação, de 180 dias, termina neste mês. Depois disso, a empresa deixa de ficar protegida contra eventuais cobranças e sua situação ficará ainda mais complicada.
Os credores conseguiram ontem pelo menos uma vitória contra a CPFL-Equatorial: a instalação de um comitê de credores, que vai fiscalizar e acompanhar mais de perto o processo. Segundo uma fonte, normalmente os credores não optam por instalar esse tipo de comitê, no qual os participantes respondem pelas decisões tomadas e podem ser processados.
Se o plano da CPFL e Equatorial for rejeitado, as empresas não pretendem deixar barato. Segundo uma fonte, elas vão exigir, neste caso, que seja aberto um processo competitivo, assim como querem hoje a Energisa-Copel, e vão apresentar novamente uma proposta.
Em comunicado, a Energisa afirmou que os credores aprovaram o pleno acesso às informações das subsidiárias do Rede. "O consórcio Energisa e Copel considera positiva a decisão tomada pelos credores, em favor de um processo transparente de disposição dos ativos".

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