Notícias do setor
21/06/2013
Acordo coletivo de terceirizados dificulta ainda mais situação da Celtins

Custos podem aumentar em R$ 38 milhões para distribuidora, cuja dívida já passa de R$ 500 milhões
Pedro Aurélio Teixeira, da Agência CanalEnergia, Recursos Humanos
20/06/2013
Sob intervenção da Agência Nacional de Energia Elétrica desde o ano passado, imersa em dívidas e aguardando um desfecho para a compra das distribuidoras da Rede Energia, a Celtins (TO) se depara diante de mais um problema. Acordo coletivo de trabalho fechado entre o Sindicato dos Trabalhadores em Energia Elétrica do Tocantins de Construção Civil do Tocantins e o Sindicato da Indústria da Construção Civil do estado e que já homologado pelo Ministério do Trabalho e Emprego dá um reajuste médio de 30% nos salários de eletricistas terceirizados da distribuidora, além de um aumento no auxílio alimentação de R$ 105 para R$ 400.
De acordo com Isaac Averbuch, interventor da Celtins, a empresa foi surpreendida com o reajuste e não terá como arcar com o aumento nos seus custos com os terceirizados que o reajuste vai provocar. "É impensável, ela não teria condições", explica. O reajuste deve ser aplicado a partir de 1º de julho.
Ainda de acordo com o interventor, os custos da Celtins vão aumentar em torno de R$ 38 milhões até o fim do ano com a medida. Faturando cerca de R$ 60 milhôes por mês, mas com dívidas de mais de R$ 500 milhões, a distribuidora sob intervenção da Aneel se vê com débitos perante as receitas estaduais e federais, fornecedores, com o órgão regulador e instituições financeiras. Averbuch vai a São Paulo nessa semana para negociar com credores e conta como tem lidado com as dívidas da empresa. "A gente está tocando a empresa na medida do possível e fazendo frente aos compromissos que vão aparecendo", comenta.
Em entrevista à Agência CanalEnergia, o presidente do STEE, Sérgio Fernandes, ressaltou que o aumento no salários dos terceirizados, apesar de percentualmente alto, não deixa o salário expressivo, já que um eletricista com salário de R$ 743 vai passar a ganhar R$ 1.036. Ele se queixa que a Celtins não quis participar das negociações salariais por não ter vínculo, mas que após a promulgação do acordo, alega não poder pagar. "Durante a negociação, insistimos em falar com o interventor para ter as informações para embasar a negociação não fomos ouvidos", reclama.
Nesta tarde, houve uma reunião entre as partes em que Averbuch mostrou os números da empresa, o que trouxe uma possibilidade de acordo. O sindicalista conta que a categoria ao ter acesso aos dados da distribuidora, está disposta a rever o acordo, mas revela que a distribuidora pressiona pelo recuo usando o novo acordo coletivo dos trabalhadores da própria Celtins, que foi acertado mas ainda não foi registrado. "Nessa base não conversamos, amanhã vamos ter uma reunião com a nossa categoria e muito provavelmente vamos mobilizar para uma greve", dispara.

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