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24/06/2013
Investidores começam a ter receio das estatais

Autor(es): Por Claudia Facchini, Olivia Alonso e Eduardo Laguna | De São Paulo
Valor Econômico - 24/06/2013
Os analistas recomendam que os investidores tomem cuidado com as ações de empresas estatais até as próximas eleições, em outubro de 2014. Essas companhias estarão cada vez mais sujeitas a interferências governamentais, principalmente após os protestos na última semana. A percepção de que o risco político aumentou ganhou força na sexta-feira, depois que o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), suspendeu o reajuste de 14,6% nas tarifas da Copel, distribuidora de energia controlada pelo Estado.
"É difícil antecipar o impacto dos protestos nos partidos políticos e nas campanhas eleitorais", escreveram os analistas do Itaú BBA, Marcos Severine, Mariana Coelho e Gabriel Laera, que recomendam que os investidores troquem ações de empresas estatais por companhias de capital privado. Setores regulados, como o energia elétrica e saneamento, estão entre os mais expostos a riscos políticos, acrescentam.
A atitude do governador do Paraná assustou o mercado, sobretudo porque a Copel vinha se empenhando para recuperar sua credibilidade com os investidores nos últimos meses. Sob a gestão do PSDB, a empresa passou a adotar um discurso pró acionistas e até fez promessas de melhorar sua política de dividendos.
Todavia, o congelamento de tarifas não é uma novidade para a distribuidora. O ex-governador do Paraná Roberto Requião (PMDB) adotou a mesma postura duas vezes, entre 2003 e 2010, para controlar a inflação. Segundo o analista do Bank of America Merrill Lynch (BofA), Felipe Leal, se a suspensão do reajuste for confirmada, haverá uma deterioração na percepção de governança da Copel, como ocorreu no governo de Requião.
"Em nossa opinião, faria mais sentido se o governo do Paraná utilizasse seus próprios recursos para limitar o impacto do reajuste anual para os consumidores finais", escreveram os analistas do BofA. Eles sugerem, por exemplo, que o governo do Estado reduza o ICMS sobre a energia elétrica.
As ações PNB da Copel caíram na sexta-feira 16,2%, a maior baixa do índice Ibovespa. Os investidores aguardam a reunião que deve ocorrer hoje entre o governador do Estado com a direção da Copel. Mas o clima é de desconfiança. Na avaliação de um analista, todo o esforço feito pela estatal, de diálogo com o mercado, foi por água abaixo. Analistas disseram que tentaram entrar em contato com a direção da companhia na sexta-feira, mas não foram atendidos.
Analistas do Credit Suisse calculam que, sem o reajuste, o impacto na geração consolidada de caixa da Copel será de 40%, quando medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), nos próximos 12 meses.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou a distribuidora paranaense a aumentar em 14,6% em média suas tarifas na quinta-feira. O reajuste foi maior que o esperado por analistas, que previam aumento de 8%, e anula completamente o corte na conta de luz promovido em fevereiro pelo governo federal, após a renovação das concessões do setor elétrico. No caso da Copel, as tarifas haviam sido reduzidas em 14,4%.
Uma vez por ano, a Aneel reajusta as tarifas das distribuidoras, quando são repassados, entre outros itens, os custos com a compra de energia nos últimos 12 meses. Os contratos são corrigidos pela inflação. Embora o governo tenha reduzido em 70% o preço da energia gerada pelas antigas hidrelétricas, a energia produzida pelas termoelétricas é mais cara. E esse tipo de geração vem aumentando sua participação na matriz energética.
Segundo um analista, o reajuste da Copel não será o único dessa magnitude. "Outras distribuidoras também terão aumentos acima da inflação". Os reajustes seriam ainda maiores se o governo federal não estivesse arcando com as despesas das térmicas mais caras, que já custaram R$ 8,3 bilhões entre janeiro a junho.
A Copel contaminou as ações de outras elétricas, como a Light e Eletrobras, que caíram 4,9% e 3,6% respectivamente na sexta-feira, além de ter afetado os papéis da Sabesp, empresa de saneamento controlada pelo Estado de São Paulo. "De certa forma, os investidores estão com aversão às empresas de tarifas públicas", disse Oswaldo Telles, analista do Espírito Santo Investment Bank (BES).

 

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