O empresário Jorge Queiroz, dono do grupo Rede Energia, deu um calote de cerca de 6 bilhões de reais em seus credores e zarpou para a Europa em maio. E ninguém sabe como o imbróglio vai se resolver.
O empresário Jorge Queiroz de Moraes, dono do grupo de energia elétrica Rede, detém dois feitos notáveis em sua trajetória empresarial. Primeiro, transformou uma combalida distribuidora de energia fundada por seu avô em Bragança Paulista, no interior de São Paulo, em um dos maiores grupos energéticos do país, que chegou a faturar 8 bilhões de reais e a atender 5 milhões de consumidores em 2011.
Na esteira do crescimento, Queiroz acumulou um patrimônio avaliado em 500 milhões de reais — e um padrão de vida condizente com todo esse dinheiro. Todos os dias, fazia num helicóptero Bell Jet o trajeto entre a fazenda Boa Esperança, em Bragança Paulista, onde morava com a mulher, Regina, e seis de seus oito filhos, e a sede da companhia, na avenida Paulista.
Altos executivos do grupo disputavam a chance de passar os fins de semana na fazenda com o chefe. A Boa Esperança tem 800 hectares e mais de 1 milhão de pés de café de alta qualidade. Queiroz chegou a construir uma linha de trem e uma estação ferroviária completa para facilitar os passeios pela fazenda.
Além do helicóptero, usado para os trajetos mais curtos, Queiroz tinha um jatinho Legacy para percorrer as oito distribuidoras de energia elétrica controladas pelo seu grupo no país, do Mato Grosso ao Pará. Entusiasta de esportes, ia com frequência às finais dos torneios internacionais de tênis mais badalados.
Chegou até a abrir uma empresa para patrocinar profissionais de atletismo e a criar o maior centro de treinamento para o esporte no país — outra de suas paixões.
O segundo feito de Queiroz é ainda mais impressionante: ele detém o recorde do maior calote da história do mercado corporativo brasileiro. Enquanto construía o Rede, Queiroz somou dívidas que chegaram a cerca de 6 bilhões de reais — o equivalente a seis vezes a geração de caixa anual do grupo.
Em 2012, com milhões de reais em dívidas de curto prazo prestes a vencer, a situação ficou insustentável e Queiroz pediu recuperação judicial de todo o grupo. Desde então, seus advogados negociam com credores e governo quanto do rombo é possível pagar. Na hipótese mais provável, os credores receberiam 900 milhões de reais — ou 15% do valor total.
Diferentemente dos anos de bonança, Queiroz aproveitou a negociação para sair de cena. Em maio, credores e funcionários ficaram estupefatos ao saber que ele se mudou com a família para a Europa — deixando helicóptero, trens e pés de café para trás.
Seu paradeiro exato é um mistério: dois amigos dizem que está na Itália, sem precisar a cidade. Sua advogada, Raquel Otranto, diz que ele está em tratamento para estresse e depressão, mas não diz exatamente onde (Exame.com, 21/6/13)
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