Limitações de conexão deve manter térmicas ligadas, com custo calculado pelas indústrias em R$ 400 milhões
Sueli Montenegro, da Agência CanalEnergia, de Brasília, Regulação e Política
28/06/2013
A entrada prevista de Manaus no Sistema Interligado até o dia 7 de julho pode resultar em custo adicional para o consumidor de energia, caso o governo decida ratear as despesas com as usinas termelétricas que ainda continuarão ligadas, por limitações na conexão à Rede Básica.O custo adicional de operação dessas usinas deve gerar em seis meses prejuízo calculado por grandes consumidores da região em R$ 400 milhões somente para a indústria, sem considerar o mercado cativo de distribuição.
O assunto foi discutido pelos presidentes Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia, Mário Menel, e da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais e de Consumidores Livres de Energia, Paulo Pedrosa, em reunião com o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann. Na próxima semana, Menel e Pedrosa pretendem levar o problema também ao ministro Edison Lobão, em encontro sugerido pelo próprio Zimmermann.
A conexão de Manaus ao linhão Tucuruí-Macapá-Manaus será feita por uma instalação provisória da Amazonas Distribuidora de Energia, que não permite o desligamento de termelétricas dos sistemas isolados. Essas usinas deverão permanecer em operação por mais seis meses, até que a distribuidora do grupo Eletrobras conclua as obras de algumas subestações em fase de construção. A assessoria da Eletrobras não foi encontrada para confirmar a informação.
Menel alertou nesta sexta-feira, 28 de junho, que existem usinas com Custo Variável Unitário superior a R$ 800,00 por MWh e, como o mercado local é pequeno, esse custo terá peso maior se ficar restrido aos consumidores da Região Norte. Segundo o executivo, a conta seria paga por todas as indústrias, da Zona Franca de Manaus até o Maranhão. Mas sobraria também para consumidor residencial e os demais do mercado cativo, uma vez que as distribuidoras de energia têm o direito de repassar o custo às tarifas nos reajustes anuais.
Para Pedrosa, a solução ideal é que o custo seja pago pelo Tesouro, por meio da Conta de Desenvolvimento Energético, porque aí estaria diluído entre todos os contribuintes. "No momento em que você declara a interligação, cria um problema. E, dependendo da interpretação, [a geração térmica] pode virar um custo para a Amazonas Energia; para o consumidor da distribuidora; para o Sistema Norte; ou para o consumidor de todo o Brasil, neste caso por segurança energética", observa o presidente da Abrace.
A operação das termelétricas localizadas nos sistemas isolados é coberta atualmente pela Conta de Desenvolvimento Energético, que paga o custo do combustível usado. Com Manaus oficialmente conectada ao SIN, as usinas não receberão mais o subsídio. "Uma solução nessa fase transitória, que são seis meses até dezembro, tem que ser encontrada, porque senão o despacho dessa térmica vai para o ESS, o Encargo de Serviços do Sistema por razões elétricas", acredita Menel. O executivo explicou que, nesse caso, somente o consumidor da região Norte pagaria a conta.
Pedrosa avalia que o problema é como vai ser dividida a despesa. Ele imagina que se for paga diretamente pelo consumidor amazonense, a tarifa de energia terá um aumento explosivo. Se for repassada à distribuidora, ela não terá como gerenciar o impacto. Caso seja estendido aos consumidores do Sistema Norte, o custo poderá superar R$ 70/MWh, o que pode ser trágico para indústria. "É muito mais do que toda a redução do custo da energia concedida para a industria na renovação das concessões", observa Pedrosa. Na última opção, que seria o rateio para todos os consumidores do pais, o efeito é pequeno, mas que se somaria aos demais custos que terão de ser pagos pelo despacho térmico atual.
Além da hidrelétrica de Balbina, com 260 MW de potência, o sistema de Manaus tem geração própria, com as térmicas de Aparecida (172,0 MW), Mauá (436,5 MW), Cidade Nova (15,4 MW), São José (36,4 MW), Flores (69,0 MW) e a usina flutuante Electron (120 MW), todas da Eletrobras. Ele é suprido também pelos empreendimentos privados Breitener Tambaqui (60 MW), Breitener Jaraqui (60 MW); Manauara (60 MW), Rio Amazonas (65 MW) e Gera (60 MW). No interior do estado, 105 localidades são abastecidas por um parque gerador com potência instalada de 479 MW.
Localização
(51) 3012-4169
aeceee@aeceee.org.br