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05/07/2013
BNDES emprestou R$ 10,4 bilhões a Eike

Correio Braziliense - 04/07/2013
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou ontem que chega a R$ 10,4 bilhões o valor dos empréstimos contratados com o Grupo EBX, do empresário Eike Batista, cuja derrocada financeira vem contribuindo para a forte queda do preço das ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Além disso, a instituição tem participações acionárias nas empresas do grupo que valiam R$ 551,9 milhões na última terça-feira, conforme o preço de mercado dos papéis. Como os títulos tiveram forte desvalorização nos últimos meses, o banco, que opera com recursos públicos, já sofreu grandes prejuízos. Para especialistas, o valor atual dessas aplicações pode representar não mais do que 10% do investimento original.
Em relação aos empréstimos, o BNDES informou, em nota, que nem tudo foi liberado, já que os desembolsos são feitos de acordo com o ritmo de execução dos projetos. O banco estatal não esclareceu qual o montante já entregue ao Grupo EBX e assegurou que todas as operações são protegidas por garantias específicas, incluindo fianças bancárias. Sustentou ainda que a exposição total ao grupo representa uma parcela pequena do patrimônio líquido da instituição.
Para expandir suas operações nos últimos anos, que incluíram o apoio a grupos econômicos selecionados, o BNDES recebeu quase R$ 400 bilhões do Tesouro Nacional. Para engordar o caixa do banco, o governo federal emitiu títulos, pagando juros de mercado, operações que aumentaram a dívida pública e fragilizaram as contas nacionais. Esse foi um dos motivos que levaram agências internacionais de classificação de risco a avisar que podem rebaixar a nota atribuída à economia brasileira.
Calote
Ontem, os papéis da petroleira de Eike Batista, a OGX, que já perderam mais de 90% de seu valor desde que foram lançados, em junho de 2008, desabaram mais 15,56%, colaborando para que a Bovespa amargasse o quarto pregão seguido de queda, refletindo também o cenário econômico desfavorável, no país e no exterior. O Ibovespa, que reflete o comportamento das principais ações, operou no azul durante parte do pregão, mas terminou o dia em baixa de 0,41%, aos 45.044 pontos.
Na tentativa de estancar as recorrentes perdas de valor societário do grupo e conter especulações sobre risco iminente de calote, Eike garantiu ontem que suas empresas têm recursos suficientes para pagar as dívidas.
Em comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que abriu investigação sobre o comportamento das ações da OGX, ele ressaltou que a empresa tem crédito de US$ 850 milhões a receber da Petronas, estatal de petróleo da Malásia, referente à venda de uma participação de 40% em dois blocos de exploração na Bacia de Campos (RJ). Com isso, teria “condições de assegurar recursos necessários para que possa honrar os seus compromissos de médio prazo”. O empresário afirmou ainda que, caso sejam necessários recursos extras, ele, pessoalmente, teria condições de aportar US$ 1 bilhão na companhia.
Segundo relatório do Bank of America Merrill Lynch (BofA), divulgado no começo da semana, o BNDES e a Caixa Econômica Federal são os mais expostos à dívida do grupo EBX. Apenas a exposição da Caixa era de R$ 1,4 bilhão. De acordo com analistas, os dois bancos estatais junto com outras três instituições privadas, concentram as maiores perdas. (Colaborou Victor Martins)

 

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