Notícias do setor
08/07/2013
Empresa da energia solar pede concordata

Valor Econômico - 08/07/2013
A alemã Conergy, que já foi uma das maiores companhias europeias do segmento de energia solar, entrou na última sexta-feira para a lista dos insucessos nesse complicado setor de energia, ao anunciar ter declarado sua insolvência.
A companhia, que tem 15 anos de existência, afirmou que seus credores não conseguiram chegar a um acordo sobre os esforços da diretoria para convidar um novo investidor. Além disso, a empresa se justifica dizendo que foi afetada por um "inesperado atraso" no recebimento de um pagamento vinculado a um grande projeto.
Philip Comberg, executivo-chefe da Conergy, afirmou em um comunicado oficial: "Nos últimos 15 meses, apresentamos aos nossos credores dois conceitos concretos quanto às alternativas de investimento [em nossa companhia]. Lamentamos profundamente que, repetidamente, eles não tenham conseguido chegar a um acordo confiável envolvendo uma implementação, em tempo hábil, da proposta".
Comberg acrescentou: "O conselho de administração vai agora apoiar plenamente o administrador da "insolvência preliminar", com a finalidade de, esperamos, assegurar que todos os postos de trabalho sejam mantidos e prosseguir nossas operações comerciais sem nenhuma interrupção".
A Conergy emprega cerca de 1.200 funcionários em todo o mundial - sendo 800 deles na Alemanha e cerca de 400 em suas subsidiárias internacionais.
Uma superoferta mundial de painéis solares, associada à queda dos preços em meio à forte concorrência da Ásia, colocou de joelhos alguns dos maiores nomes desse setor nos últimos dois anos - da chinesa Suntech à americana Solyndra e a alemã Q-Cells. Esta última chegou a ser a maior fabricante mundial de células fotovoltaicas.
Parte dos problemas do setor pode ser identificada na introdução de subsídios à energia renovável na Europa, o que estimulou as empresas a aumentarem a produção e produziu um excesso de oferta.
Além disso, devido à crise econômica na zona do euro, muitos países estão sob pressão para que reduzam seus subsídios, entre eles a Alemanha, que responde por quase metade da capacidade de geração elétrica baseada em energia solar na Europa.
Os problemas do setor resultaram em uma disputa comercial acirrada entre a China e a União Europeia (UE), que no mês passado impôs tarifas provisórias sobre produtos solares chineses.
A Conergy, companhia sediada em Hamburgo e que foi fundada em 1998, transformou-se logo numa das estrelas do setor solar mundial. Desde então, a empresa produziu e vendeu mais de 2,2 GW de eletricidade a partir da energia solar e construiu ou projetou usinas solares com uma capacidade de geração superior a 420 MW, o que, segundo a Conergy, equivale à produção em 2012 de mais energia do que a gerada por uma usina nuclear.
Mas a companhia viveu em dificuldades nos últimos anos e surgiram dúvidas sobre se ela conseguiria sobreviver, enquanto suas ações despencavam e os gestores empenhavam-se em encontrar uma maneira de superar suas dificuldades financeiras.
A Conergy informou que sua companhia controladora e suas principais subsidiárias na Alemanha - a Conergy Solarmodule, a Conergy Deutschland e a Mounting Systems - tinham se declarado insolventes e que "as consequências sobre nossas filiais internacionais são ainda imprevisíveis".

Localização
Av. Ipiranga, nº 7931 – 2º andar, Prédio da AFCEEE (entrada para o estacionamento pela rua lateral) - Porto Alegre / RS
(51) 3012-4169 aeceee@aeceee.org.br