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08/07/2013
Futuro do Rede agora está nas mãos do juiz

Valor Econômico - 08/07/2013
A terceira assembleia de credores do grupo Rede, protagonista da maior recuperação judical do país, terminou em impasse na sexta-feira. Agora, caberá à Justiça decidir se o plano apresentado pela Energisa será aceito ou não. Provavelmente, o processo só chegará às mãos do juiz da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais na quarta-feira, depois do feriado de 9 de julho, amanhã, em São Paulo, afirma o advogado do grupo Rede, Thomas Felsberg.
Depois de muitas idas e vindas, a Energisa conseguiu fazer com que o seu plano de recuperação fosse votado pelos credores na sexta-feira. O centenário grupo mineiro, controlado pela família Botelho, derrotou o poderoso consórcio formado pela CPFL e Equatorial. As duas empresas haviam assinado em dezembro de 2012 um contrato com o dono do grupo Rede, Jorge Queiroz, e eram consideradas, até pouco tempo, imbatíveis.
O grupo Rede controla oito distribuidoras de energia espalhadas pelo país, que estão sob intervenção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) desde o fim de agosto. "Chegar até aqui já foi uma vitória para a Energisa", disse Ricardo Botelho, presidente da companhia, ao deixar na sexta-feira à noite a assembleia de credores do Rede.
Durante o processo de venda do conglomerado paulista, que se arrasta desde 2011, a família Botelho acusou o Rede de sonegar informações e impedir que a Energisa apresentasse uma oferta de compra pelos ativos.
As queixas ganharam o apoio dos credores, que estavam insatisfeitos com o deságio proposto pela CPFL-Equatorial. O consórcio oferecia pagar as dívidas das cinco holdings do grupo Rede com um desconto de 85%. A Energisa propôs um deságio de 75%.
Os credores derrubaram, finalmente, o plano da CPFL-Equatorial na assembleia de sexta-feira e, às 17 horas, a proposta da Energisa foi submetida à votação. Mas o resultado continua em aberto e existe a possibilidade de que até mesmo a proposta da Energisa acabe sendo rejeitada. Se isso ocorrer, as holdings do Rede podem ir à falência.
O resultado da votação depende, basicamente, do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS). Se o juiz que responde pela recuperação do grupo Rede considerar válido o voto do fundo estatal, a proposta da Energisa será aprovada, com 58,4% de aceitação. Se o FI-FGTS for excluído, a proposta da Energisa será rejeitada, com 52,8% de votos contrários à proposta.
Uma parte dos credores do Rede quer impedir que o FI-FGTS participe da decisão por considerar que existe conflito de interesses, já que o fundo estatal também é acionista do grupo.
Os credores estrangeiros, para os quais o grupo Rede deve US$ 500 milhões, disseram ainda que votariam contra qualquer um dos planos, fosse da Energisa ou da CPFL-Equatorial, mesmo que isso leve à falência da companhia. Segundo eles, trata-se de um voto de protesto, contra um calote sem precedentes que está sendo imposto para as instituições financeiras privadas. Bancos como NY Mellon e o Merrill Lynch estão entre os credores que votaram contra o plano da Energisa.
Os credores consideram que o FI- FGTS foi favorecido nas duas propostas de compra apresentadas. Isso porque o fundo é credor de uma das holdings do grupo Rede, a Denerge. Mas os ativos de maior valor, que são as oito distribuidoras de energia, estão sob o guarda-chuva de outra holding, a Rede Energia, da qual os bancos estrangeiros são credores. Estima-se que esses ativos estejam avaliados em torno de R$ 2 bilhões.
Nas duas propostas, a Energisa e CPFL-Equatorial incluíram as cinco holdings em um só processo de recuperação, fazendo com que os credores de uma companhia se subordinassem às demais. "Não faz sentido", diz uma fonte.
"Será um dos maiores calotes da história", queixou-se o representante de um dos credores, que teme que o caso do grupo Rede estabeleça precedentes. Segundo ele, a aprovação do plano ameaça "destruir" o mercado de crédito, ao permitir que empresas do mesmo grupo tomem empréstimos, mas depois compartilhem o risco no mesmo processo de recuperação.

 

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