Correio Braziliense - 10/07/2013
A Agência Nacional de Petróleo(ANP) pode obrigar a OGX, do grupo de Eike Batista, a investir na perfuração de mais poços nos campos marítimos que a empresa afirmou não serem comerciais para avaliar melhor o potencial de cada um deles. A companhia surpreendeu os investidores, na semana passada, ao dizer que uma reavaliação dos levantamentos geológicos de Tubarão Azul, na Bacia de Campos, mostrou que não havia tecnologia capaz de tornar a extração de petróleo economicamente viável.
“Nós podemos concordar com a avaliação deles ou pedir que perfurem mais, antes de aceitar o diagnóstico”, disse a diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, em entrevista à Reuters. “Se for concluído que o campo não é realmente comercial, nós podemos receber a concessão de volta”, acrescentou.
A OGX, que enfrenta dificuldades para equacionar o pagamento de uma dívida milionária, chegou a ser a segunda maior empresa de petróleo do Brasil em valor de mercado e um dos símbolos do boom de commodities do país. No entanto, entrou em crise quando o mercado constatou que ela não tinha os ativos que alegava possuir, nem possibilidades de alcançar a curto e a médio prazo uma produção significativa. Nos últimos meses, as ações da companhia perderem 98% do valor desde o recorde de alta, em 2010, quando chegaram a ser cotadas em R$ 23.
Tubarão Azul foi o primeiro campo offshore da OGX, e a produção teve início em 2012 em um nível bem abaixo das expectativas. A empresa disse, na semana passada, que a produção no local pode ser encerrada em 2014. Magda Chambriard, que está em Londres em busca de investidores para a rodada de licitação de blocos do pré-sal, em outubro, disse que a ANP ainda está avaliando o desenvolvimento do plano da OGX para o campo, e que deve chegar a uma conclusão nos próximos meses.
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