No dia 28 de junho, a Eletrobras deu início ao pagamento da quarta e última parcela do Saldo da Reserva Especial de Dividendos. Foram distribuídos aos acionistas da companhia R$ 3,3 bilhões. Tem direito a receber esse dividendo especial o acionista que tinha posição em 29 de janeiro de 2010. Com base na posição acionária do fim de 2009, é possível estimar que a União e o BNDES receberam cerca de R$ 2,5 bilhões. A União recebeu cerca de R$ 1,8 bilhão em dividendos, e o BNDES outros R$ 742 milhões via BNDESPar, que na época tinha 18,5% do capital total. O próprio BNDES entrou no capital da Eletrobras ainda em 2010, mas foi após a data de corte para recebimento desses dividendos. Essa conta especial de dividendos está sendo paga desde 2010 e se refere a dividendos não pagos pela Eletrobras por mais de 30 anos. A União é a garantidora dessa operação de crédito com o BNDES e a Eletrobras apresentou como contragarantia própria os créditos que tem a receber de Itaipu, o que consiste em operação inédita de contragarantia, por envolver recebíveis. Esses recebíveis têm valor presente estimado de R$ 11,154 bilhões. Não fica claro nos documentos se esses são os mesmos créditos que a empresa tem a receber, e que estão sendo antecipados em operações do Tesouro com o próprio BNDES para cobrir as despesas com a redução da conta de luz e maior gasto de geração térmica. Essas antecipações dos recebíveis de Itaipu vão para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que é administrada pela Eletrobras. No mês passado, o Tesouro autorizou, junto ao BNDES, a antecipação de R$ 1,96 bilhão desses créditos. Como os recursos "serão usados para saldar obrigações urgentes, sem as quais não haveria tempo suficiente para recorrer a alternativas", a operação de garantia da União não recebeu oposição do Tesouro. Como o custo ficou mesmo no teto - Selic mais 2,5% -, o gasto efetivo da operação é de 13,21% ao ano. A expectativa era de um custo menor em função das garantias da União, mas isso não se concretizou. (Valor Econômico – 10.07.2013)
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