Notícias do setor
12/07/2013
Após mudança contábil, Petrobrás eleva lucro

Com mudança contábil, Petrobrás eleva lucro e pode reforçar caixa do governo
Autor(es): Sabrina Valle Mariana Durão/ André Magnabosco
O Estado de S. Paulo - 12/07/2013
Uma mudança feita pela Petrobrás na forma de contabilizar sua dívida exposta à variação cambial deve permitir à estatal melhorar o resultado do segundo trimestre em cerca de R$ 7 bilhões. Com isso, a empresa reduz sua exposição ao câmbio em cerca de R$ 70 bilhões e aumenta o lucro. O resultado é a elevação do pagamento de dividendos aos acionistas, sendo o principal deles a União. Para analistas, o novo cálculo coloca a Petrobrás na "contabilidade criativa" do governo no esforço de atingir a meta fiscal.
Uma mudança promovida pela Petrobrás na forma de contabilizar sua dívida exposta à variação cambial deve permitir à estatal melhorar o resultado do segundo trimestre em cerca de R$ 7 bilhões, reduzir sua exposição ao câmbio em cerca de R$ 70 bilhões e aumentar seu lucro. No fim, isso deve significar uma elevação do pagamento de dividendos aos acionistas, sendo o principal deles a União.
Para analistas, o novo cálculo inclui a empresa na "contabilidade criativa"" do governo no esforço de atingir a meta fiscal.
Gustavo Gattass, do BTG Pactual, disse que a medida o fez elevar a estimativa do resultado da companhia no segundo trimestre. Mas disse acreditar que, no médio prazo, o efeito pode ser negativo. "Vejo esta movimentação como negativa, com uma ainda mais negativa conclusão por trás dela. Triste, porque o momento não é adequado", disse, defendendo mais transparência na empresa.
As novas regras permitirão à Petrobrás registrar de forma diluída, ao longo dos próximos sete anos, parte do prejuízo causado pela variação cambial na dívida. A parcela exposta ao câmbio, cerca de US$ 50 bilhões no fim de março, subiu em reais na mesma proporção em que se valorizou a moeda estrangeira.
No último trimestre, a alta de 10% do dólar representou, portanto, um prejuízo contábil de R$10 bilhões (US$ 5 bilhões). Procurada, a Petrobrás informou que não falaria sobre o assunto.
A manobra contábil é legal e não é inédita. Grandes empresas, como Usiminas e BRF, também adotam o modelo. Mas a decisão da Petrobrás ganha maior repercussão por ocorrer em um momento de forte valorização do dólar. No segundo trimestre de 2012, quando o dólar se valorizou 10,93%, a Petrobrás registrou prejuízo de R$ 1,346 bilhão, o primeiro resultado trimestral negativo desde a maxi-desvalorização do real, em 1999.
Com a perspectiva de um balanço melhor, as ações ordinárias (ON) da companhia, que pagam dividendos ao governo, subiram ontem 7,25%, a maior alta do Ibovespa. Mas, para analistas, o movimento seria especulativo, não teria trazido novos acionistas para a empresa, e pode inverter posição no médio prazo. A adoção da contabilidade de hedge reduz a volatilidade das ações no curto prazo, mas é insuficiente para alterar a visão do investidor de longo prazo sobre a companhia.
"O que a gente espera hoje para ficar mais positivo com a Petrobrás não é uma mudança de contabilidade, mas" de resultado", diz Will Landers, gestor na América Latina de fundos da BlackRock, uma das maiores gestoras de investimentos do mundo. Para ele, a mudança depende do que a presidente da estatal, Graça Foster, conseguirá entregar em termos operacionais. A BlackRock mantém, nos fundos geridos pelo executivo, a classificação da Petrobrás como "underweight" - abaixo da performance do índice de mercados emergentes da América Latina.
Landers prefere não classifi¬car a alteração contábil da Pe¬trobrás de "criativa", por consi-derar que ela está em linha com os padrões de contabilidade in¬ternacional. "Mas, sem dúvida, (a mudança) vai ajudar na meta do governo de arrecadar mais divisas por meio de dividendos altos", disse. Procurado, o Mi¬nistério da Fazenda informou que não faria comentários so¬bre a mudança, pois se trata de uma decisão empresarial.
A equipe de analistas do BES Securities também acredita que a utilização de uma prática contábil que permite a redução de impactos por variações cam¬biais vai melhorar "artificial¬mente" os resultados da Petro¬brás no segundo trimestre, Com ela, a despesa financeira excepcional ocasionada pela valorização do dólar, que seria de R$10 bilhões no período, deve cair para R$ 3 bilhões, estima a instituição.
"Vemos esta mudança contá¬bil como negativa, uma vez que vai melhorar artificialmente os resultados do segundo trimes¬tre, embora ela seja uma altera¬ção permitida", destacou o ban¬co. O cálculo dos analistas é ba¬seado na variação de aproxima¬damente 10% do dólar ao longo do segundo trimestre. Gomo a Petrobrás possui uma exposi¬ção líquida ao dólar estimada em R$ 100 bilhões o impacto da variação cambial seria de R$ 10 bilhões.

Localização
Av. Ipiranga, nº 7931 – 2º andar, Prédio da AFCEEE (entrada para o estacionamento pela rua lateral) - Porto Alegre / RS
(51) 3012-4169 aeceee@aeceee.org.br