Notícias do setor
30/07/2013
TST propõe aumento real de 2,5% em dois anos para trabalhadores da Eletrobrás

Após reunião, presidente do tribunal disse que está otimista em relação a um acordo na quinta-feira, 1º de agosto
Sueli Montenegro, da Agência CanalEnergia, de Brasília, Recursos Humanos
29/07/2013
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Carlos Alberto Reis, marcou para a próxima quinta-feira, 1º de agosto, a retomada da audiência de conciliação realizada nesta segunda-feira, 29 de julho, quando pretende referendar um acordo trabalhista entre os sindicatos e a Eletrobras. Após mais de três horas de reunião, Reis propôs a aplicação de um ganho real de salários de 2,5%, a ser aplicado de forma cumulativa em 2013 e 2014, com um ponto percentual retroativo a maio de esse ano, um ponto percentual em janeiro do ano que vem e o 0,5 ponto restante em setembro de 2014.
Pela proposta do ministro, o acordo será válido por dois anos, findos em abril de 2015, com a correção da inflação pelo IPCA em maio de 2013 (6,49%) e em maio de 2014. Os trabalhadores terão direito a vale alimentação de R$ 30,00, e receberão abono anual correspondente a quatro talões de vale alimentação no valor total de R$ 3 mil, neste ano e no próximo.
Na saída da reunião, Reis explicou que a aplicação do aumento real sugerido segue padrões de razoabilidade, e se mostrou otimista em relação ao desfecho das negociações na quinta-feira. "Eu tenho quase certeza. Eu acho que as partes encontraram um ponto de convergência. É claro que depende sobretudo do governo", afirmou.
O ministro sugeriu à federação e aos sindicatos que representam os trabalhadores a suspensão da greve a partir da zero hora da próxima quarta-feira, 31. A sugestão será votada em diversas assembleias previstas para esta terça-feira, 30.  Ele lembrou que a greve terminará oficialmente com o acordo.
Outro ponto incluído na proposta é o abono dos dias parados em 2013 e a inclusão de parte dos dias descontados no ano passado em um banco de horas. Para Reis, o período de paralisação é pouco, e é possível encontrar uma solução. "Se o sistema funcionou, nós não podemos apontar um grande prejuízo para a empresa. Quem sabe a empresa vai relevar esses dias parados, que são praticamente 12 ou 13 dias", poderou.
Durante as discussões, os sindicalistas concordaram com a proposta de que empresa apresente um novo cálculo do adicional de periculosidade. Da parte da Eletrobras, houve concordância do representante da estatal em retirar a cláusula de congelamento do adicional por tempo de serviço, incluída na proposta apresentada aos trabalhadores.
O assessor de relações trabalhistas e sindicais da empresa, Mauricio Joseph Marques Filho, não demonstrou muita confiança em relação a um consenso nas negociações, mas admitiu a possibilidade de que a Eletrobras apresente contraproposta. "Alguns pontos eu vejo com muita dificuldade, mas vou encaminhá-los à diretoria da Eletrobras para fazer uma avaliação" disse, em referência à aprovação do ganho real de salários. O representante da estatal admitiu, porém, que é provável a apresentação de uma contrapoposta pela empresa.
O presidente da Federação Nacional dos Urbanitários, Franklin Gonçalves, destacou que  a proposta do presidente do TST foi ponderada e sobraram poucos pontos passíveis de discussão. O sindicalista reconheceu que o aumento de salários acima da inflação  é a questão mais delicada da negociação. Na reunião, ele responsabilizou o governo pelo impasse com os trabalhadores. "Insisto em dizer que está faltando muito pouco em termos de ganho real para a gente fechar um acordo coletivo", disse.
Para o presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores em Energia, Água e Meio Ambiente, Eduardo Anunciato, o Chicão, as negociações no tribunal avançaram um pouco e o acordo sugerido pelo ministro é "de bom tom". Representante dos trabalhadores da Eletronuclear, Furnas e Eletrosul, o sindicalista disse que é preciso sensibilizar o governo, e anunciou que vai submeter a proposta de retorno ao trabalho às assembleias das três subsidiárias.

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