Autor(es): Por Rodrigo Polito | Do Rio
Valor Econômico - 30/07/2013
A elétrica catarinense Celesc começa a dar os primeiros passos no seu programa de eficiência operacional, cujo objetivo é obter uma economia de custos de R$ 150 milhões até 2015. No próximo mês, a empresa colocará em prática uma nova estrutura organizacional, com a extinção de 37 funções gratificadas, representando um corte de 30% dos cargos gerenciais e uma economia de R$ 3,5 milhões anuais.
Dentro dessa estratégia, em junho, a companhia reduziu de dez para oito o número de diretorias. E concluiu o programa de demissão voluntária, com a adesão de cerca de 20% do contingente, que passou a ser da ordem de 2.900 empregados. A medida deve trazer uma economia de R$ 70 milhões a partir de 2015, pois até lá a empresa arcará com o custo dos desligamentos de funcionários.
Também está em andamento a reestruturação das centrais de atendimento ao consumidor, que permitirá uma redução de custo anual de R$ 20 milhões para R$ 7 milhões, a partir de 2014.
Segundo o presidente da Celesc, Cleverson Siewert, o objetivo é eliminar o excedente de R$ 150 milhões anuais de gastos que não são reconhecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Hoje, essa quantia não pode ser repassada para a tarifa do consumidor e é bancada pelos acionistas da empresa.
"São mudanças sustentáveis que nos permitem, a médio prazo, enxergar uma adequação. Imaginamos que daqui a três anos estaremos adequados. Estamos trabalhando para que antes possamos chegar lá. Mas o importante é a sinalização. Se conseguirmos ganhar R$ 50 milhões por ano, em termos de eficiência, já será bastante significativo", disse o executivo.
No comando da empresa desde fevereiro, o engenheiro admite que a Celesc demorou a se ajustar ao modelo atual do negócio de distribuição no Brasil, que exige o máximo de eficiência dos concessionários. As principais distribuidoras privadas, além de estatais como Cemig e Copel, já realizaram esse processo.
A Celesc é uma empresa de economia mista controlada pelo governo de Santa Catarina, que possui 50,18% das ações ordinárias e 20,20% do capital total. Cerca de 76,1% dos papéis da companhia estão em circulação no mercado. Entre seus principais investidores estão Previ e Eletrobras, com 14,46% e 10,75% do capital, respectivamente.
Outro processo importante para a Celesc ocorrerá em agosto, quando a Aneel aplicará o reajuste tarifário. De acordo com a autarquia, a empresa pleiteou um índice de reajuste de 25,33%, mas esse percentual ainda será analisado pela diretoria da agência. E o efeito médio ao consumidor pode ser menor que esse valor.
Segundo Siewert, o reajuste permitirá a cobertura das despesas extras de operação das termelétricas por segurança de abastecimento nos últimos 12 meses, quando o nível dos reservatórios hidrelétricos chegou a patamares críticos. Com isso, a empresa terá liberado cerca de R$ 300 milhões captados em uma emissão de debêntures em maio e que estavam sendo utilizados para cobrir o caixa antes do reajuste.
"No fim do ano passado, identificamos essa dificuldade de caixa, não só nossa como das distribuidoras de uma forma geral, nos antecipamos e fomos ao mercado", disse o presidente.
A ideia agora é utilizar os recursos no programa de investimentos na área de distribuição, cujo orçamento para 2013 é de R$ 220 milhões. Como as debêntures foram emitidas pela subsidiária de distribuição, os recursos não podem ser usados em outras áreas, como o setor de geração, cujos investimentos este ano somam R$ 80 milhões.
Parte desses recursos foram utilizados na ampliação da pequena central hidrelétrica de Pery (SC), de 4,4 megawatts (MW) para 30 MW de potência, que entrará em operação em agosto.
Ainda no segmento de produção de energia, a Celesc tem uma carteira de 40 projetos em Santa Catarina e nas redondezas, com um potencial de 1200 MW. A ideia é desenvolver esses empreendimentos em parcerias com outras empresas, na qual a companhia participaria com até 49%.
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