Autor(es): Por Rodrigo Polito | Do Rio
Valor Econômico - 01/08/2013
A hidrologia desfavorável afetou o resultado da Tractebel Energia no segundo trimestre deste ano, quando a companhia registrou lucro líquido de R$ 324 milhões, valor 5,3% menor que o apurado em igual período de 2012. Segundo o diretor-presidente da empresa, Manoel Zaroni, de abril a junho de 2012 a empresa estava na posição "vendedora" no mercado de curto prazo. No mesmo período deste ano, porém, a elétrica estava no lado "comprador" e arcou com o elevado preço spot de energia.
"Tivemos que comprar energia de curto prazo em função da geração termelétrica mais alta. O resultado do segundo trimestre é pior do que o do ano passado. Mas no semestre ele melhorou", disse o executivo. Nos primeiros seis meses de 2013, a Tractebel lucrou R$ 748,9 milhões, valor 11,9% maior que o do primeiro semestre do ano passado.
Assim como outras geradoras, a Tractebel alocou parte considerável de sua garantia física (volume de energia comercializável) no primeiro trimestre do ano, quando o preço de liquidação das diferenças (PLD) - o preço de curto prazo - estava elevado. Os preços, porém, não recuaram no segundo trimestre, ao contrário do que era esperado, quando a companhia ficou exposta.
Esse efeito foi o principal motivo para o resultado da empresa no segundo trimestre ter sido ligeiramente inferior ao projetado pelo mercado. Após oscilarem entre o azul e o vermelho ao longo do dia, as ações da maior geradora privada do país fecharam ontem com leve alta de 0,69%, negociadas a R$ 36,40.
"Apesar dessa diferença, os resultados confirmaram nossas expectativas", informou o Itaú BBA, em relatório sobre o desempenho da empresa. Segundo o banco, a receita líquida de vendas da Tractebel, de R$ 1,273 bilhão no trimestre, foi influenciada positivamente por uma oferta maior de energia da hidrelétrica de Estreito e impactada negativamente por um volume mais fraco de vendas de energia no mercado de curto prazo.
Ao comentar o desempenho da empresa, Zaroni também explicou que, dos R$ 767,6 milhões de dividendos cujo pagamento foi aprovado terça-feira pelo conselho, a parcela de R$ 521 milhões, referente à controladora, a franco-belga GDF Suez, será usada integralmente na obra da hidrelétrica de Jirau, em Rondônia.
"Estamos pagando um dividendo alto porque esse dinheiro fica aqui [no Brasil] mesmo. A nossa holding está aplicando tudo em Jirau. Não vai nada lá para fora", disse o diretor-presidente.
Após vender, em maio, 20% de participação na hidrelétrica para a Mitsui, por R$ 1,1 bilhão, a GDF Suez detém hoje 40% da usina. Chesf e Eletrosul, subsidiárias da Eletrobras, possuem, cada uma, 20% de participação no projeto, de 3.750 MW de capacidade.
Zaroni mantém a previsão de que a GDF Suez transfira sua participação no projeto para a Tractebel apenas em 2014, quando os principais riscos da obra terão sido mitigados. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Jirau, a segunda usina do rio Madeira, está prevista para entrar em operação comercial em outubro.
Ainda sobre novos empreendimentos, o diretor-presidente da Tractebel informou que a companhia avalia se participará do próximo leilão de energia de reserva, exclusivo para projetos eólicos, no dia 23 deste mês. Para a concorrência, a geradora cadastrou o complexo eólico de Santa Mônica, de 105 MW de capacidade instalada, no Ceará. Segundo Zaroni, a empresa ainda está estudando se o preço-teto estabelecido pelo governo no leilão, de R$ 117/MWh, é atrativo para a construção do parque.
Dentro da carteira de projetos eólicos, a companhia espera concluir, até o fim do ano, as obras do complexo de Trairi, de 115 MW, também no Ceará. Com investimentos de R$ 540 milhões, o empreendimento é formado por quatro parques, com 58,2 MW médios de energia comercializável. A linha de transmissão que fará o escoamento da energia do projeto, no entanto, ainda não foi concluída.
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