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02/08/2013
EDF diz que gás de xisto afeta negócios nos EUA

Valor Econômico - 02/08/2013
A EDF, a maior produtora mundial de energia elétrica por geração nuclear, deverá sair do setor nos Estados Unidos. A empresa atribuiu a decisão à "revolução" dos mercados energéticos americanos instaurada pelo advento do gás de xisto.
Mas Henri Proglio, principal executivo do grupo francês, disse que a queda dos preços causada pelo gás de xisto não teve "qualquer impacto significativo" sobre os planos de construir nova capacidade de geração nuclear no Reino Unido. A EDF está enredada em negociações prolongadas com o governo britânico em torno das condições para novas usinas nucleares de geração de energia.
"Continuamos a trabalhar com o governo britânico e esperamos contar com uma decisão até o fim do ano", disse Proglio, preferindo não fornecer mais detalhes.
Ele fala num momento em que a EDF, impulsionada pelos efeitos de um inverno de baixas temperaturas em seus principais mercados europeus, informa ter registrado um crescimento maior que o previsto de 6% nos lucros da atividade principal, excluídos receitas ou despesas extraordinárias, corrigidos pelo período de operação das unidades. A empresa elevou sua previsão para o ano como um todo para uma expansão de pelo menos 3%, numa faixa de 0 a 3%.
A EDF, controlada majoritariamente pelo governo francês, informou que está se retirando da CENG, sua joint-venture nos Estados Unidos com a Exelon, que opera cinco usinas nucleares. A Exelon vai assumir as operações das usinas da CENG, enquanto a EDF vai exercer uma opção de venda a fim de comercializar sua participação de 49,9% no empreendimento entre 2016 e 2022.
A EDF vai receber, além disso, um dividendo especial imediato de US$ 400 milhões. A empresa, operadora das 58 centrais nucleares francesas, tinha planejado originalmente construir quatro novas usinas nucleares nos Estados Unidos. Mas Proglio disse que as perspectivas da energia elétrica por geração nuclear nos Estados Unidos foram comprometidas pela "verdadeira revolução" causada pela exploração dos depósitos de xisto, que "modificou completamente o panorama da geração de energia elétrica em favor do gás".
Proglio informou que a EDF vai mudar seu foco nos EUA para a energia renovável. No entanto, segundo ele, os efeitos do gás de xisto não vão modificar a "bem-fundamentada" decisão de longo prazo tomada por sucessivos governos britânicos de optar pela instalação de nova capacidade nuclear, a fim de ajudar o Reino Unido a cumprir as metas de emissão de carbono sem ficar às escuras.
A EDF, também prejudicada pela desistência da geração nuclear pelo Japão e a Alemanha, está interessada em aumentar a capacidade no Reino Unido, onde já opera usinas e onde atua como distribuidora relevante de energia elétrica. Mas as negociações com o governo para a construção de dois novos reatores em Hinkley Point, no condado de Somerset, vêm sendo exaustivamente meticulosas.
A EDF disse que os lucros subjacentes antes de juros, impostos, depreciação e amortização aumentaram 6%, para € 9,7 bilhões, no primeiro semestre, comparativamente ao mesmo período do ano passado. Pelo mesmo parâmetro, a receita subjacente cresceu 4,3%, para € 39,75 bilhões. O lucro líquido teve alta de 3,5%, para € 2,9 bilhões. Proglio disse que as baixas temperaturas do inverno e o melhor desempenho da geração hídrica explicam a alta.

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