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28/08/2013
Eike Batista corre para fazer caixa e prioriza a OSX

Valor Econômico - 28/08/2013  

Com duas decisões anunciadas ontem, Eike Batista continua na saga de fazer caixa a qualquer preço para as duas empresas abertas do grupo que têm futuro mais incerto e que, por isso mesmo, não têm candidatos a compradores: a operadora de plataformas e estaleiro OSX e a petroleira OGX.Embora as ações atinjam as duas companhias, Eike parece querer resolver primeiro o problema da OSX, talvez porque seja o único possível. A empresa tem ativos que podem ser vendidos mais facilmente, como suas três plataformas flutuantes (FPSOs), sendo que uma está sendo usada atualmente no minguante campo de Tubarão Azul, a segunda chegou ao país esta semana para operar no campo de Tubarão Martelo - sobre o qual ainda pairam expectativas positivas - e a terceira está em fase final de construção na Ásia.A OSX terá o caixa reforçado em até US$ 50 milhões com o exercício de mais uma parcela da opção de venda que a empresa tem contra Eike Batista. Assim, do total de US$ 1 bilhão prometidos pelo empresário na época da abertura de capital, em 2010, sobrarão US$ 330 milhões para serem requeridos pela empresa.Chama a atenção de pessoas próximas o fato de que Eike continua a exercer parcialmente a put em favor da OSX (ainda que em doses menores), mas sequer toca no assunto da promessa feita em outubro passado, de injetar também até US$ 1 bilhão na OGX.Cabe lembrar também que a petroleira, que não está com sobra de caixa, antecipou o pagamento de US$ 449 milhões à OSX no trimestre passado, por ter reduzido o número de encomendas previsto em contrato.Além disso, a situação de liquidez do próprio empresário, ou sua confiança na salvação das empresas, entra no holofote. Quando colocou os primeiros US$ 620 milhões na OSX por meio da "put", Eike tirou do bolso o dinheiro aportado.Agora, ele pretende captar a cifra de até US$ 50 milhões por meio da venda de ações da própria empresa na bolsa. O empresário tem hoje 75% da OSX e, pelo preço de fechamento de ontem, teria que vender até 38% para conseguir levantar esse dinheiro.Se quiser manter no mínimo 50% do capital, conforme diz no fato relevante, ele teria de vender menos ações, conseguindo levantar no máximo US$ 32 milhões, considerando a cotação de ontem - quando o papel da OSX caiu 20%, para R$ 0,99.Com esse dinheiro que deve entrar no curto prazo, a OSX ganha certo fôlego para pagar compromissos com fornecedores no Brasil, onde a empresa precisa concluir duas encomendas.Mas enquanto não vender as três plataformas, os problemas da operadora permanecerão. Ao fim de junho, a companhia tinha R$ 799 milhões no caixa e dívida financeira de curto prazo de R$ 1,579 bilhão, dos quais quase R$ 1 bilhão são empréstimos-ponte de BNDES e Caixa Econômica Federal, que ela espera refinanciar com repasses do Fundo da Marinha Mercante.O último balanço aponta também uma dívida com Itaú Nassau no valor de US$ 137 milhões, sendo que uma parcela de US$ 75 milhões vencia na semana passada e outros US$ 62 milhões teriam de ser pagos ou refinanciados em dezembro.Além disso, a OSX tem compromissos com fornecedores e anunciou, na semana passada, um acordo para pagar de forma parcelada a empresa de construção Acciona, que é um dos principais.No caso da OGX, a decisão de devolver novo blocos recém-arrematados à ANP reduzirá os pagamentos de bônus de assinatura em R$ 280 milhões. Mas será apenas uma redução de gastos, e não entrada de dinheiro novo. Além disso, é um sinal de que a empresa não conseguiu atrair parceiros para esses projetos.Essas circunstâncias levam agentes de mercado a considerar cada vez mais impagável a dívida da empresa que, embora de longo prazo, soma R$ 8,7 bilhões.

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