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29/08/2013
OGX já atrasa pagamentos a grandes fornecedores

Autor(es): Por Cláudia Schüffner | Do RioValor Econômico - 29/08/2013  A movimentação para venda de ativos das empresas de Eike Batista é a ponta mais visível das negociações frenéticas que estão ocorrendo no momento no grupo, que tenta reestruturar suas dívidas e já atrasa pagamentos para prestadores de serviços essenciais, enquanto tenta vender as plataformas flutuantes de produção e armazenamento (FPSOs) que pertencem à OSX.Fontes do mercado informam que a petroleira de Eike Batista, a OGX, está atrasando faturas de vários fornecedores essenciais como a Schlumberger, que presta serviços inclusive de intervenção submarina, Diamond Offshore e Pride (adquirida pela Ensco). As duas últimas são proprietárias de várias sondas de perfuração utilizadas na bilionária campanha exploratória da companhia.A OGX também deve ao grupo Edison Chouest, que aluga plataformas e navios de apoio e manuseio de âncoras. A Ensco informou que tinha a receber US$ 18 milhões no fim de junho, além de outros US$ 27 milhões neste trimestre.Questionada sobre o assunto, a OGX não negou a informação, respondendo apenas que "está em contato com todos os seus parceiros e fornecedores, com o intuito de honrar todos os contratos firmados".Na OSX, a situação também não é mais fácil. O ex-presidente, Carlos Belot, deixou a empresa na última sexta-feira sendo substituído por Marcelo Luiz Maia Gomes, executivo da Alvarez & Marsal, empresa especializada em reestruturação de dívidas contratada pelo grupo. Fontes ouvidas pelo Valor informam que o grupo está tentando vender por US$ 1 bilhão a plataforma OSX-2, que está sendo finalizada na Ásia, mas o preço já teria baixado para US$ 750 milhões.Procurada, a OSX respondeu por meio de sua assessoria que não confirma a informação. No mercado, há quem suponha que o negócio pode sair por US$ 500 milhões. Isso porque o "timing" não é bom para negociar preços melhores. Essa plataforma está sendo construída no estaleiro Keppel Fels, em Singapura e terá capacidade de produzir 100 mil barris de óleo por dia e armazenar 1,3 milhão de barris de petróleo antes de sua transferência. A SBM é responsável pelos serviços de Engenharia, Aquisição de Equipamentos e Construção (EPC). O financiamento foi feito via um "project finance" de US$ 850 milhões, dos quais US$ 632 milhões já foram liberados por um sindicato de bancos. O prazo para pagamento vence em 2023.Antes disso, em 2015, terão que ser pagos US$ 500 milhões (que em junho equivaliam a R$ 1,1 bilhão) em "bonds" lançados para financiar a OSX-3, construída pelo Jurong Shipyard de Singapura com contrato de EPC com a Modec. Essa FPSO, que também é capaz de produzir 100 mil barris dia e armazenar 1,3 milhão de barris de petróleo, já tem contrato e será instalada no campo de Tubarão Martelo, um dos ativos mais valiosos da OGX com início da operação previsto para dezembro.Outra FPSO do grupo, a OSX-1, está sendo sub utilizada no campo de Tubarão Azul mas está sendo oferecida para empresas no Brasil que estão prestes a colocar novos campos em produção. Em julho Tubarão Azul só produziu 900 barris por dia de óleo equivalente (incluindo gás) através de três poços que ficaram parados a maior parte daquele mês. Essa plataforma foi a primeira a ser adquirida e custou US$ 420 milhões financiados por um sindicato de bancos, dos quais US$ 116 milhões já foram pagos. Essa dívida vence em 2018.Como se vê pelo tamanho das dívidas contraídas, dependendo do preço de venda dessas plataformas, a OSX poderá ter dificuldade de honrar os financiamentos, o que levaria os credores a tomar as unidades. A sequência de eventos envolvendo o atraso da decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) de aprovar a compra pela OGX de uma participação no bloco BS-4 prejudicou o negócio com a Petronas.Com o entrave no Cade relacionado à transferência, a OGX não pode oferecer para a Petronas uma fatia da área (20% dos 40% que adquiriu) como garantia no negócio envolvendo o campo de Tubarão Martelo. A OGX comprou 40% do BS-4 por US$ 270 milhões em 2012 e este ano fechou a venda de 40% do Martelo por US$ 850 milhões. Mas um penhor oferecido para a malaia envolvendo 40% de sua fatia no próprio Martelo e metade dos 40% no BS-4 emperrou na Agência Nacional de Petróleo (ANP), já que oficialmente a OGX não tinha a posse do BS-4.Com a reestruturação da dívida da brasileira tendo se tornado pública no Brasil e exterior o presidente da Petronas, Shamsul Azhar Abbas, disse que nada será pago enquanto a reestruturação estiver em andamento, ou seja, os US$ 250 milhões iniciais não serão pagos neste trimestre. Em nota à CVM ontem, a OGX disse entender que "a Petronas não tem direito a adiar o fechamento financeiro da transação celebrada com a OGX assim que as condições precedentes previstas no contrato seja cumpridas, nenhuma das quais faz referência a "reestruturação de dívida".

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