Três modelos estão sendo estruturados em parceria com seguradorasPor Natália Bezutti, do Rio de Janeiro (RJ)O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) está estudando junto a três seguradoras, novos produtos que deverão mitigar os riscos da geração eólica. O banco ainda não participa de projetos eólicos no País, mas já tem pouco mais de 20%, do montante de US$1 bilhão destinado à energia na América Latina, abrangidos apenas pela fonte.Segundo Leandro Alves, chefe da divisão de energia do BID, três modelos estão sendo estruturados, baseados em: um pagamento para prevenir a geração abaixo do previsto; um modelo em que quando há geração a mais a geradora recebe por isso, e quando está abaixo ela paga; e uma reserva financeira para ventos abaixo, semelhante ao que ocorre no MRE hidráulico.“Esse modelo já foi discutido na Europa, mas acabou não dando certo, pois encareceu demais para o mercado financeiro. No Brasil ainda não era preciso porque a porção de projetos eólicos estava muito baixa, mas agora, para crescer e abrir para o mercado financeiro de grandes players precisa dessa abertura”, explicou.De acordo com o executivo, o modelo utilizado pelo Brasil, por meio do financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) é o correto, e por isso tem proporcionado o alto nível de desenvolvimento. Entretanto, não dá margem para que outros agentes – como bancos e financiadores – entre no pacote. Nem mesmo ao BID, que apresente condições melhores.Alves também revelou que há mais espaço para crescimento dos montantes destinados à energia dentro da parcela do BID para câmbio climático, que engloba todos os segmentos de projetos renováveis. O banco tem US$ 3 bilhões ao ano para o segmento, dos quais, utiliza apenas um terço para energias renováveis.Assim, outros US$ 50 milhões são aplicados em fundos não reembolsáveis para pesquisas, medições de vento e sol, mapeamentos de hidrologia, eficiência energética, entre outros.Alves também revelou que a fonte eólica tem apresentado um crescimento constante no banco, perdendo somente para a fonte hidrelétrica no segmento de geração. Contudo, o maior volume de financiamentos é destinado aos setores de transmissão e distribuição de energia.“O Brasil tem 1% de eólica em sua matriz. Acho que ainda temos muito o que fazer, não em desenvolvimento, mas na gestão”, apontou o executivo.
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