(Mônica Izaguirre | Valor)
Com mercado estabelecido, fabricantes eólicos focam agora na sustentabilidade do negócio
Segundo fornecedores de aerogeradores, o potencial do mercado já é uma realidade e a discussão passa a ser a de manter bom volume de contratação Pedro Aurélio Teixeira, da Agência CanalEnergia, do Rio de Janeiro, Negócios e Empresas 05/09/2013 O setor eólico passa por um momento diferente que o de alguns anos atrás, quando ainda se questionava seu potencial no Brasil. O tempo e a evolução do mercado o deixaram amadurecido quanto aos seus anseios. De acordo com Eduardo Ângelo, representante da Siemens, agora os fabricantes discutem se o que está sendo contratado nos leilões é suficiente e não se haverá mercado. "Após quatro anos, a gente vê a diferença do debate. Não se discute mais se há mercado", opina. O executivo participou do Brazil Wind Power, realizado nesta quinta-feira, 5 de setembro, no Rio de Janeiro (RJ).Paulo Soares, da Vestas, ficou surpreso com os 1,5 GW contratado no último certame, mas considera que o preço alcançado não foi bom, devido as restrições impostas. "Não houve melhoria em relação ao ano anterior, a surpresa foi o volume", dispara. Eduardo Lopes, da Wobben, também considerou o volume comercializado bom e espera que o montante contratado aumente nos próximos leilões. "Temos ainda dois leilões e queremos passar da meta", afirma. Ele julga necessário que os resultados obtidos no último leilão continuem, para que o sinal positivo seja mantido.A meta de 2 GW por ano foi considerada correta pelos fabricantes, mas Soares, da Vestas, acredita que caso o Brasil não tivesse problemas na sua infraestrutura, ela poderia ser ultrapassada em ainda mais 1 GW. Christiano Forman, da Acciona, considera que o país se manteve atrativo para investimentos, embora a demanda mundial tenha se retraído.Os fabricantes de aerogeradores pareceram já terem se resignado com as mudanças feitas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social no Finame, que exigiu adequações na utilização de conteúdo local, mas ainda mostraram alguma contrariedade quanto à capacidade do país em oferecer o conteúdo local. Eles já pensam no futuro. Para Pierre Chenevier, da Alstom, é preciso ter uma visão de longo prazo e o Brasil em pouco tempo deve já estar atuando como exportador de turbinas. Já para Ângelo, da Siemens, essa condição será alcançada pelo setor de maneira natural.Mario Pescarmona, da latino-americana Impsa, lembrou que o desenvolvimento tecnológico também deve estar presente nas diretrizes dos fabricantes. Lembrando das linhas de financiamento em pesquisa criadas pelo governo, ele acredita que assim ficará em pé de igualdade com os outros fabricantes globais. "Queremos ser donos da tecnologia, temos que aproveitar as oportunidades locais que o Brasil está dando. Temos que desenvolver parcerias locais, tropicalizar", comenta. João Paulo Gualberto, da Weg, fez a ressalva de que em breve a Agência Nacional de Energia Elétrica vai divulgar os projetos autorizados a participar do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Estratégico para energia eólica.
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