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06/09/2013
Investidores divergem sobre sustentabilidade dos preços da energia eólica

Maioria ainda acredita que valores estão abaixo do desejávelCarolina Medeiros, da Agência CanalEnergia, do Rio de Janeiro, Negócios e Empresas 05/09/2013 Os investidores do mercado eólico ainda divergem sobre os preços da energia eólica que vem sendo praticados nos leilões. A questão é saber se esses patamares estão adequados para sustentar a indústria no longo prazo. Mais alto do que nos leilões anteriores, o preço médio no leilão de Reserva, que aconteceu no último dia 23 de agosto, ficou em R$ 110/MWh. O preço-teto era de R$ 117/MWh.Renato Volponi, diretor geral da EDP Renováveis, avalia que o preço ainda não é ideal, mas que, pelo menos, começou-se a pensar que os preços da energia eólica não tinham que cair sempre. "Acho que ainda não é o preço ideal. Ficou devendo ainda uma análise mais aprofundada de questões macroeconômicas, como a inflação, o câmbio, porque uma boa parte dos componentes ainda é importado e isso tudo teve um impacto no preço. Mas acredito que há uma tendência de se considerar esses itens nos preços futuros", comentou o executivo, que participou do Brazil Wind Power 2013.Para Mathias Becker, CEO da Renova Energia, o preço é sustentável. Ele comentou que no leilão de Reserva alguns novos fatores influenciaram no preço, como o P90 e também o Novo Finame. "A indústria provou que dá para fazer eólica com o P90, mas é mais caro", analisou Becker. Márcio Severi, diretor de Regulação e Comercialização da CPFL Renováveis, afirmou que apesar de se observar uma melhora nos preços, o produto contratado em dezembro do ano passado - quando os preços chegaram a R$ 88/MWh - é diferente do contratado agora no leilão de Reserva."Um preço não conversa com o outro. Esse produto agora tem que ser entregue em dois anos, é um produto que tem um lastro de 90% de confiabilidade e também tem uma confiabilidade maior em termos de fornecedores, porque foi mais restrito. Tem ainda maior confiabilidade em termos de transmissão, porque se aproveitou capacidade remanescente. Então, entendemos que para esse tipo de produto, é preciso melhorar o preço", analisou Severi.Laura Porto, diretora de Operações da Força Eólica do Brasil, joint venture formada entre a Neoenergia e a Iberdrola, concorda com a opinião de Severi. Segundo ela, esse é um produto de maior qualidade, com mais exigências e, portanto, poderia ter um outro preço. "Acho que para a indústria ser sustentável, se existem cada vez mais exigências e riscos para o gerador, isso tem que estar embutido no preço", avaliou.Volpani, da EDP Renováveis, contou que a intenção da empresa é de sempre participar dos leilões. Segundo ele, o montante a ser colocado nos certames varia muito e depende dos projetos que vão amadurecendo no pipeline. "Eu diria que entre 200 MW e 300 MW é algo que a gente pensa sempre em ter condições de ir a leilão. Não significa que a gente vai ganhar, mas que tem condições para participar", comentou.

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