Notícias do setor
03/10/2013
Setor elétrico vive encruzilhada, avalia professor do GEE/UFRJ

De acordo com Renato Queiroz, setor precisa debater temas como o modelo e a situação da EletrobrasPedro Aurélio Teixeira, da Agência CanalEnergia, Regulação e Política 02/10/2013 A necessidade de suprir com energia térmica o baixo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas, as mudanças desencadeadas com a lei 12.783 e até a situação do Grupo Eletrobras levaram o setor elétrico brasileiro a uma encruzilhada. A opinião é de Renato Queiroz, membro do grupo de estudos em energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. De acordo com ele, o momento pede o debate. "O panorama do setor hoje é de refletir porque é de encruzilhada e delicado, precisa ser rediscutido", afirma. Queiroz vai participar nos próximos dias 7 e 8 de outubro do seminário Desafios da Energia do Brasil, que será realizado no Rio de Janeiro (RJ).Queiroz conta que, um ano após a publicação da Medida Provisória 579, os grandes consumidores concluíram que a redução na tarifa de energia foi de apenas 7%, não surtindo o efeito desejado pelos agentes do governo. Embora outros consumidores tenham experimentado redução nas tarifas, a insatisfação dentro do setor foi grande. Para ele, a necessidade de implantação de usinas térmicas leva o setor a outro dilema, já que o gás natural, insumo imediato, não está disponível, a tendência é que usinas a carvão e nucleares sejam contratadas, o que vai levar a protestos de ambientalistas.O professor fez um alerta sobre a situação das empresas do grupo Eletrobras, que após ter renovado a maioria das suas concessões, viu a sua receita diminuir consideravelmente. Segundo ele, a Eletrobras sempre foi usada pelo governo para liderar os investimentos na expansão da energia. Agora, empresas como Chesf e Furnas tem usado parcerias com agentes privados para implantar projetos, segundo ele com taxas de retorno menores. "O enfraquecimento do grupo Eletrobras assusta investidores. Na hora que ele quer um parceiro do estado em uma obra, ele quer a segurança de quem vai administrar a obra, de quem vai conhecer os problemas ambientais", avisa.O debate sobre o modelo do setor elétrico é importante para Queiroz, mas ele não julga necessário que se elabore um novo modelo, apenas que se aperfeiçoe o que esteja imperfeito, sem sectarismos. "Não pode só colocar se é a favor ou contra. Posso ser a favor do modelo, mas posso não concordar com um ponto. Não dá para dormir em berço esplêndido". As mudanças que o governo fez na sistemática dos leilões, vetando fontes para que outras possam ser comercializadas, indicam na avaliação do professor que o planejamento esteja voltando a ser determinativo e não indicativo.Ele considera que mesmo com os atrasos em concessões de licenças ambientais para usinas e linhas de transmissão, o setor continua atraente para os investidores, já que a perspectiva de que a demanda de geração aumente, trazendo compras de equipamentos e serviços de engenharia. Mas ele frisa que caso mudanças no marco regulatório tragam algum tipo de desvio ao que o investidor espera, é sinal de que as regras devem ser alteradas. "O marco dura enquanto eu tenho os resultados que eu espero dele. Se há entraves e não está ocorrendo dentro do que se imagina, é sinal que esse conjunto de regras precisa ser repensado", aponta.

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