Autor(es): ANTONIO TEMÓTEO e VICTOR MARTINSCorreio Braziliense - 04/10/2013 A agência Moody"s vê risco no superendividamento da estatal, baixa a nota de crédito e mantém perspectiva de nova redução na classificação da empresa. Decisão azedou a celebração do aniversário da Petrobras pelo governo.A agência de classificação de risco Moody"s reduz a nota da estatal no dia do aniversário dela, azedando as comemorações do governo No dia em que completou 60 anos, a Petrobras recebeu um presente nada agradável. A agência de classificação de risco Moody"s rebaixou a nota de crédito da estatal de A3 para Baa1. Para melar ainda mais o clima de festa, a perspectiva do rating da petrolífera permaneceu negativa, o que significa que poderá ter a sua avaliação reduzida mais uma vez. Procurada, a empresa informou que não comentará o rebaixamento.Em comunicado ao mercado assinado pelo vice-presidente-sênior, Thomas Coleman, a Moody"s afirmou que a decisão de diminuir a nota da estatal se deveu ao elevado nível de alavancagem financeira. Isso significa dizer que a empresa está com um endividamento muito acima do aceitável. No entender da agência, a Petrobras continuará com fluxo de caixa negativo nos próximos anos, à medida que conduz um ambicioso programa de investimentos, o que pode piorar a sua saúde financeira.Conforme Coleman, "vemos a alavancagem da Petrobras em níveis significativamente mais altos do que os de seus pares da indústria". Os excessos só devem ser corrigidos a partir de 2015. A Moody"s explicou que a dívida total da estatal aumentou no primeiro semestre deste ano em US$ 16,3 bilhões e deverá continuar crescendo em 2014. Antes do anúncio da agência, a presidente Dilma Rousseff comemorou, nas redes sociais, os 60 anos da empresa. "A EnLeaderPetrobras completa hoje 60 anos com o orgulho do Brasil. Ela mudou o país para melhor", disse ela, que se encontrou com a presidente da petrolífera, Graça Foster.No dia anterior, a Moody"s já havia reduzido a perspectiva de nota do Brasil, de positiva para estável, o que provocou, ontem uma forte saída de investidores estrangeiros do país, empurrando os preços do dólar para cima. A divisa norte-americana foi cotada em R$ 2,203 para venda, com alta de 0,41%. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, minimizou a decisão da agência. "A Moody"s afirmou que temos grau de investimento", disse ele, em Londres. "Com isso, duas das três maiores agências confirmaram que o Brasil é grau de investimento", reforçou.Brasil também caiA Moody"s justificou a piora da nota do Brasil por causa do aumento da dívida pública bruta para mais de 60% do Produto Interno Bruto (PIB). Colocou ainda na lista de problemas o baixo nível de investimentos e o crescimento fraco do país em 2013. A classificação de Baa2 é a segunda pior posição para as nações com a chancela de porto seguro para receber investimentos."A decisão da Moody"s trouxe pressão adicional ao reforçar que as coisas estão complicadas para a nossa economia", ponderou Gustavo Godoy, gerente de Tesouraria do Banco Daycoval. A Moody"s não foi a primeira a ver o Brasil de maneira diferente. "Há quatro meses, a S&P (Standard & Poor"s) revisou a perspectiva do rating soberano de longo prazo do Brasil de estável para negativa", lembrou Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco.Para operadores, o dólar só não subiu mais em função da injeção diária do BC no mercado futuro e das incertezas fiscais nos Estados Unidos. A situação norte-americana, de orçamento travado e ameaça de calote, "pode conspirar contra os interesses do Brasil", observou Sidnei Nehme, da NGO Corretora.» InflaçãoO presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, rebateu as críticas em relação à economia brasileira. Segundo ele, o Brasil "terá um terceiro trimestre de acomodação, o que é aguardado pelo mercado, mas será mais favorável do que as pessoas esperam", afirmou. Ele destacou ainda que a inflação está sob controle e caminhando para o centro da meta, de 4,5%.
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