O Globo - 08/10/2013 Apesar da diversificação, combustível terá 30% da oferta de energia em 2030
Danielle Nogueira danielle.nogueira@oglobo.com.brHá 40 anos, o Brasil era movido a lenha e a diesel. Retrato de um país que ainda tinha 44% da população no campo. A energia que vinha da madeira representava 38,8% da matriz energética nacional e a derivada do petróleo respondia por 45,6% em 1973, ano do choque do petróleo. Hoje, o petróleo responde por 39%. Em 2030, com o país plenamente urbanizado, as projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam para uma drástica queda da fatia da lenha (5,5%). Mas o Brasil ainda será dependente do petróleo, que manterá sua liderança (28%), embora não vá reinar absoluto. Terá de dividir espaço com outras fontes, que vêm avançando na matriz desde que o governo brasileiro iniciou seu projeto político de diversificação, nos anos 1970.Em 1973, o Brasil importava 78% do petróleo que consumia. Para assegurar o abastecimento e reduzir os gastos com importações, o governo incentivou a Petrobras a elevar a produção petrolífera nacional e desenvolveu o Pró-Álcool. Também foi estimulada a geração de hidroeletricidade. A partir dos anos 1990, a pressão pelo abandono de combustíveis fósseis acelerou a diversificação da matriz energética, tema do terceiro dia da série sobre os 40 anos do choque do petróleo, que O GLOBO publica desde domingo.— Com a expansão do álcool e das hidrelétricas, o Brasil tomou-se exemplo de sucesso de adaptação à vulnerabilidade externa. O etanol continuará crescendo, a eólica tomou-se muito competitiva. Mas o petróleo tem caráter estratégico e vai se manter importante. Ainda mais agora, com o pré-sal — afirma o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim.A dificuldade de substituir o petróleo no setor de transporte também toma pouco viável um cenário em que ele seja uma fonte residual de energia.— Ele pode ser transportado e estocado com facilidade. Isso não acontece com o gás. No caso do etanol, a gasolina tem se mostrado mais competitiva, mesmo com a desoneração do setor do álcool — compara Edmar Almeida, do grupo de Economia da Energia do Instituto de Economia da UFRJ.No mundo, o petróleo também vem cedendo espaço, mas está longe de perder o reinado. Em 2030, responderá por 30% da matriz energética, percelaquase igual à do carvão mineral (29%), segundo a Agência Internacional de Energia. Em 1973, respondia por 41,6%, quase o dobro do carvão (22,2%). Mas é possível que a participação do petróleo esteja subestimada. Com o advento do óleo e do gás não convencional, os chamados tight oil e shale gas, que vêm revolucionando a indústria de energia americana, o combustível, que tantas vezes foi apontado como próximo do fim, ganha novo fôlego.
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