Disputa envolve a construção da linha, que vai demandar equipamentos de ultra alta tensãoSueli Montenegro, da Agência CanalEnergia, de Brasília, Negócios e Empresas 15/10/2013 Previsto para o primeiro trimestre de 2014, o leilão da linha de transmissão da usina hidrelétrica de Belo Monte será o grande teste para fornecedores de equipamentos e operadores de linhas em ultra alta tensão, uma experiência inédita no país. Um dos interessados é a gigante chinesa State Grid, que já contabiliza US$ 7 bilhões em ativos no país e planeja atingir US$ 10 bilhões ate 2015, entre investimentos novos e aquisições de empreendimentos de terceiros. O interesse da China pelo empreendimento inclui não apenas a outorga para construção e operação, como também a inclusão de toda a cadeia de fornecedores de equipamentos daquele país. O projeto atrai também a fabricante alemã Siemens, que não descarta repetir no Brasil a parceria com a State Grid em território chinês. Enquanto o governo não estabelece as diretrizes do leilão e a Agência Nacional de Energia Elétrica não define como serão divididos os diversos trechos do linhão da usina no processo de licitação, chineses e alemães já se preparam para atender os requisitos definidos no processo. "Belo Monte é nosso foco principal no momento. Estamos discutindo com o grupo Eletrobras, mas também com Cemig e Copel", explica o presidente e CEO da State Grid Brazil Holding, Cai Hongxian. O executivo conta que não há ainda um modelo definido de parceria com empresas brasileiras, mas revela que o grupo defende a gestão conjunta do empreendimento. Hongxian destaca a participação dos fornecedores de equipamentos chineses e cita a possibilidade de instalação de unidades industriais no país. O gerente de Desenvolvimento de Negócios da Siemens, David Scaquetti, afirma que a fabricante trabalha no projeto de Belo Monte há anos, e a ideia é trazer uma proposta competitiva que possa tornar viável sua execução com tecnologia alemã. "Nós auxiliamos a EPE (Empresa de Pesquisa Energética) a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) nas discussões preliminares e para a elaboração da parte técnica da proposta", afirma Scaquetti. O executivo destaca que a intenção é fornecer apenas as subestações conversoras. Ele explica que esse tipo de sistema demanda grande quantidade de equipamentos e admite que uma parte deles terá de ser importada não apenas pela Siemens, como também por outros fornecedores. Mas, explica, a empresa planeja investir nas unidades de produção já instaladas no país para atender a exigência de conteúdo local do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. A construção de instalações para operar na tensão de 800 kV não é novidade para chineses e alemães, que consideram esse tipo de tecnologia já consolidada. O gerente da Siemens destaca que o primeiro projeto no mundo em corrente contínua nesse tipo de tensão foi executado em território chinês pela empresa alemã. Já o presidente da State Grid lembra que a torre mais alta de transmissão de energia do mundo (cerca de 310 metros) fica na China, e a maior do hemisferio sul (aproximadamente 270 m) é chinesa e foi instalada no Brasil pela Isolux. A capacidade instalada de transmissão da China é dez vezes maior que a do Brasil. Cai Hongxian conta que a empresa trabalha com tecnologia de ultra alta tensão tanto para linhas em corrente continua como em corrente alternada. "Já temos em operação duas linhas de corrrente contínua há mais de três anos e duas linhas em construção", diz o executivo. Os representantes da State Grid e da Siemens participam, em Brasilia, do XXII Seminário Nacional de Produção e Transmissão de Energia Elétrica - o SNPTEE.
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