Notícias do setor
16/10/2013
Russa Rosatom mira leilões de nucleares

Governo sinalizou recentemente que estuda a abertura do setor para a iniciativa privadaPor Maria DominguesA russa Rosatom já faz planos de se instalar no Brasil no início de 2014, de olho nos possíveis leilões de usinas térmicas nucleares, previstos para acontecer até 2030. Na semana passada, o Governo Federal indicou, pela primeira vez, que estuda a abertura no setor, com a permissão para a participação da iniciativa privada nos certames.“Não entendemos que o programa nuclear seria puramente estatal. Com a experiência que nós estamos tendo nas sociedades de propósito específico [SPEs] no parque de geração e transmissão, muito bem sucedida, é desejável que essa experiência seja estendida para a nuclear no que diz respeito à parte convencional da usina”, disse o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura.O planejamento da matriz energética atualmente em vigor prevê a implantação de quatro usinas nucleares no Brasil, cada uma com 1.000 MW, nas regiões Sudeste e Nordeste. “Essa visão de longo prazo está sendo revista neste momento, estendendo o horizonte de 2030 para 2050, onde a opção nuclear será reavaliada”, disse o secretário, referindo-se ao Plano Nacional de Energia (PNE) 2050, cujo relatório executivo deverá ser divulgado em março de 2014.Apesar da construção de novas usinas ainda estarem situadas em um horizonte distante, Ivan Dybov, vice-presidente e chefe do Departamento de Relações Públicas da JSC Rusatom Overseas, afirmou que a entrada no mercado brasileiro não é prematura. Além do fato de o programa nuclear requerer um planejamento de longo prazo, Dybov também afirma que a companhia pretende firmar acordos de cooperação para atuar no mercado local.A parceria entre russos e brasileiros no setor nuclear é antiga, assim como o interesse da Rosatom no mercado brasileiro. Em 1994, as duas nações firmaram um acordo pelo uso pacífico da energia atômica. Depois disso, em 2009, um memorando de entendimentos foi assinado em 2009. Em 2011, a Rusatom Overseas - subsidiária da companhia - passou a integrar a Associação Brasileira para Desenvolvimento das Atividades Nucleares (Abdan).O russo não revela quanto a companhia pretende investir no Brasil, mas garante que a empresa está pronta para atuar de diversas formas. "De nossa parte, estamos prontos para fornecer uma ampla gama de condições para financiamento de projetos, tanto para participação acionária, quanto para captação de investidores e financiamentos", afirmou.A companhia já construiu 28 usinas nucleares em todo mundo, número esse que pretende expandir para 80 até 2030. "Em todos os países em que participa de projetos nucleares, a Rosatom se compromete a utilizar o máximo de empresas locais na construção e na produção de equipamentos. O mesmo vai acontecer no Brasil se a Rosatom participar dos programas que visam a construção de usinas nucelares. A parceria permitirá que as empresas brasileiras atinjam um novo nível operacional e tecnológico, uma vez que estamos dispostos a envolvê-las em nossa cadeia de fornecimento global para os projetos", disse.

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