O Estado de S. Paulo - 30/10/2013 Com a recuperação judicial batendo à porta, a petroleira OGX, do empresário Eike Batista, divulgou ontem um comunicado em que diz, entre outras coisas, que só terá caixa por mais algumas semanas e por isso, precisa levantar recursos com credores ou com novos investidores. As informações só reforçaram no mercado a expectativa de que a empresa entre com o pedido de recuperação entre hoje e amanhã.Aempresa anunciou, durante a madrugada de terça-feira, que terminou sem acordo a negociação de meses com detentores de títulos de dívida emitidos no exterior, com valor de face de US$ 3,6 bilhões. No site da OGX, foram publicadas as apresentações feitas aos credores externos, revelando a demissão de 150 funcionários no fim deste mês, revisões para baixo nas perspectivas de produção do Campo de Tubarão Martelo (o principal da petroleira) e para vender a operação de gás natural no Maranhão para a Eneva, empresa do Grupo EBX que teve o controle vendido para os alemães da E.ON.No documento, a empresa fala em redimensionar suas ambições e deixar para trás o passado recente de "otimismo excessivo, óleo insuficiente", com metas "mais que ambiciosas" e "caixa estrangulado". Para tentar convencer os investidores, a petroleira aponta como principal objetivo concentrar esforços em Tubarão Martelo e Atlanta (BS-4). As más notícias derrubaram as ações da petroleira em 20,69%, a R$ 0,23.Numa apresentação feita no último dia 23 para o grupo financeiro Rothschild, a OGX diz que precisaria de XJS$ 250 milhões em empréstimos adicionais até abril de 2014: "A companhia atualmente espera que ficará sem caixa na última semana de dezembro." Alguns dados foram censurados com tarjas pretas, mas se tomam visíveis após serem copiados e colados, como revelou o site Infomoney.A divulgação estava prevista num acordo de confidencialidade firmado entre OGX e seus credores externos - como as gestoras de fundos Pacific Investment Management (Pimco) e a BlackRock.O plano de reestruturação da OGX previa transformar os títulos de dívida em ações, diluindo os atuais acionistas - tanto Eike quanto minoritários. A dívida total, de US$ 5,1 bilhões, seria reduzida a US$ 2,2 bilhões. Entre os credores estão também o estaleiro OSX e fornecedores.Pela proposta, os donos de títulos ficariam com 57% da OGX; a OSX com 14%, e os fornecedores, 9%. Os detentores da dívida externa não teriam aprovado es-sa distribuição, disse uma fonte ao Broadcasty serviço em tempo real da Agência Estado.Escondido. Entre as informações passadas pela OGX aos credores, mas censuradas no documento, estão os motivos da renegociação com a petroleira malaia Petronas do valor de venda da participação de 40% no campo de Tubarão Martelo. Estima-se em US$ 103 milhões o custo de produção do primeiro óleo do campo.A primeira vista, o documento informa apenas que as duas empresas seguem discutindo o valor. Em maio, a OGX anunciou o acordo para vender por US$ 850 milhões os 40% de Tui barão Martelo. Na parte coberta apeia tarja preta,porém,é possível bler que o valor está em ajuste "devido à redução do volume depois da interpretação de dados da produção de seis poços perfurados".Tarjas pretas escondem ainda detalhes da negociação para vender a OGX Maranhão para a Eneva (ex-MPX): o plano é vender duas etapas, com o pagamento de US$ 91 milhões em janeiro e mais US$ 82 milhões em parcelas mensais de julho de 2015 a abril de 2016.
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