Autor(es): Irany Tereza Mariana Durão Mônica CiarelliO Estado de S. Paulo - 07/11/2013 Uma surpreendente fusão entre a petroleira OGX e a empresa de construção naval OSX faz parte das alternativas em estudo pelo grupo responsável pela reestruturação das empresas de Eike Batista, apurou o "Broadcast", serviço em tempo real da "Agência Estado". A medida, de acordo com fontes que acompanham o processo, é tecnicamente possível, mas seria uma opção para os próximos meses, depois de vencida a primeira etapa judicial da recuperação.A OSX tem apenas um cliente, a OGX, e quatro ativos: as plataformas construídas para atender a petroleira. Uma delas, a OSX-3, deve ser mantida na empresa para operar na área de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos. A intenção da OGX é iniciar a produção de petróleo no campo, sua última esperança de geração de receita, na última semana deste mês.No início de outubro, relatório da consultoria internacional DeGolyer & MacNaughton (D&M), informou que os blocos BM-C-39 e BM-C-40, onde está localizado Tubarão Martelo, não possuem nenhuma reserva provada, ou seja, com maior nível de certeza de sua viabilidade comercial. Há, segundo a consultoria, reservas prováveis de 87,9 milhões de barris, em torno de um terço do que havia sido estimado em abril de 2012.Esta será a maior aposta de um desfecho favorável para a OGX, que acumula dívidas de R$ 11,2 bilhões. Com a venda de uma fatia na OGX Maranhão, anunciada na semana passada, a OGX resolveu a questão de caixa até janeiro de 2014, segundo a fonte. A venda, para a Eneva(ex-MPX, que foi adquirida pela alemã E.On) e o fundo Cambuhy, de Pedro Moreira Salles, ainda precisa ser aprovada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Gade). Mas uma pequena parcela dos R$ 344 milhões pode contribuir ainda este ano para reforçar o caixa da OGX.A ideia que ganha corpo no processo de reestruturação é, depois de protocolado o pedido de recuperação judicial da OSX, o que deve ocorrer nos próximos dias, submeter à apreciação do juiz responsável pelo caso a proposta de venda das outras três plataformas da OSX. Está sendo estudada inclusive a possibilidade de os dois processos de recuperação judicial tramitarem em paralelo, na mesma vara empresarial, caso o juiz aceite eventual proposta feita pelos advogados das duas companhias. A futura fusão só será possível com a avaliação da situação das empresas - especialmente em relação a eventuais litígios judiciais - nos próximos meses.CobrançaOntem, a Techint Engenharia e Construção entrou com ação de execução de título extrajudicial contra a OSX na 28a Vara Cível do Rio, depois que as negociações com a empresa não avançaram. A Techint reclama débitos relativos à construção da plataforma WHP-2, que teve contrato de afretamento suspenso pela OGX em julho deste ano. De acordo com fontes, a Techint reclama o pagamento de US$ 1 bilhão. O Broadcast apurou também que a OSX, por sua vez, calcula o crédito em torno de US$ 500 milhões. A Techint Engenharia, empresa do grupo ítalo-argentino Techint, foi contratada pela OSX em 2011.OGX também vai mudar de nomeOntem, a OGX convocou uma assembleia de acionistas para a tarde do próximo dia 19. Além de ratificar 0 pedido de recuperação judicial feito no último dia 30 à Justiça do Rio, a reunião deverá aprovar a mudança de denominação social e endereço da empresa. A petroleira não será a primeira empresa do grupo a trocar de nome. A MPX passou a se chamar Eneva e a LLX também será rebatizada pelos advogados das duas companhias. A futura fusão só será possível com a avaliação da situação das empresas - especialmente em relação a eventuais litígios judiciais - nos próximos meses.
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