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18/11/2013
Transmissão: Resultado de leilão consolida fim da era dos grandes deságios

Percentual registrado foi de 7,5%, muito abaixo da média histórica, de 26,2%, mas governo fala em sucessoPor Maria DominguesEntre os representantes da Agência Nacional da Energia Elétrica (Aneel) e do Ministério de Minas e Energia (MME) presentes no Leilão de Transmissão, realizado nesta quinta-feira (14/11), em São Paulo, o discurso alinhado era sobre o sucesso do certame, mas foi impossível disfarçar certo desconforto com as repetidas perguntas sobre o deságio médio registrado, que foi de 7,5%, muito abaixo da média histórica, de 26,02% (até antes do leilão).O percentual é consideravelmente menor na comparação com o registrado nos dois certames realizados em 2013, de 12,76% (julho) e 11,96% (maio). “Não há mais esperança de grandes deságios”, admitiu Edvaldo Santana, diretor da Aneel. “Mas a tendência é que nos próximos leilões esse número volte para a casa dos dois dígitos”, completou.De acordo com Santana, duas principais razões explicam o deságio menor. “As usinas estão sendo construídas cada vez mais longe do centro de carga, e contam com empecilhos de ordem ambiental (para obtenção de licenças) cada vez maiores. É natural que isso impacte em um deságio menor”, disse.Ivo Nazareno, presidente da Comissão de Licitação da Aneel, afirmou que esse baixo percentual observado neste certame, porém, não é necessariamente uma tendência para o leilão do primeiro bipolo que escoará a energia da UHE Belo Monte (11.233MW), previsto para acontecer em fevereiro de 2014. “Trata-se de uma nova tecnologia. São lotes muito diferentes desses que têm sido licitados e o valor a ser investido é maior do que o desse certame inteiro. O paralelo mais próximo é o dos linhões do Madeira”, disse. Naquela ocasião, em 2008, o leilão das LTs apresentou 7,5% de desconto ante a Receita Anual Permitida Máxima (RAP) ofertada.Se não existe mais o “apetite do início dos anos 2000”, como salientou Santana, e a crise afugentou alguns players do setor privado – especialmente os estrangeiros - dos certames de transmissão, restam outros consolos para o governo. Um deles é o fato dos três lotes que estavam chegando à terceira licitação terem sido leiloados.Um desses exemplos é o Lote A, vencido por Copel e Furnas (consórcio Santa Genebra), porém sem deságio. “Se todos os outros dessem deságio de 50% e esse lote não tivesse sido arrematado, nós voltaríamos para Brasília chateados”, disse Santana.Esse lote é a junção de três que disputaram certames anteriores. Trata-se de empreendimentos estratégicos, segundo Nazareno, já que escoarão a energia gerada nas hidrelétricas do rio Madeira (Santo Antônio e Jirau).Para Olga Simbalista, diretora de Furnas, afirma que além de a RAP ter sido ajustada (e aumentada), outro ponto foi fundamental para que o lote tivesse sido arrematado. O prazo para entrada em operação comercial foi ampliado de 24 para 36 meses. O prazo era considerado pela Aneel o grande gargalo dos empreendimentos. “Teremos dificuldades fundiárias para a compra da faixa de servidão”, disse.WACCA Aneel deverá colocar em audiência pública nesta terça-feira (19/11) a proposta de metodologia para cálculo do WACC (custo médio ponderado de capital) para 2014. Os membros da Aneel presentes evitaram dar indicativos, mas a tendência é que o patamar seja superior aos 4,6% do ciclo 2013, até mesmo pelas condições do mercado. “O risco país aumentou e isso reflete no índice”, disse.

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