Autor(es): Ramona Ordoñez Bruno RosaO Globo - 29/11/2013 Entidades cobram mais estudos geológicos e regulamentação do setorA licitação de novos blocos terrestres realizada ontem pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) deve consolidar, no Brasil, o debate sobre os riscos da exploração do gás não convencional (shale gas). A modalidade exige emprego de tecnologia que, segundo especialistas, pode ser agressiva ao ambiente. Das 72 áreas arrematadas, 54 estão em regiões onde, segundo a ANP, há potencial para a exploração deste gênero. A polêmica técnica, chamada de fraturamento hidráulico, consiste na injeção de grandes volumes de água e produtos químicos para a perfuração dos poços, o que, segundo geólogos, pode comprometer lençóis freáticos. Os riscos levaram países como França e Bulgária a proibir o fraturamento. Nos EUA, pioneiros na tecnologia, protestos são comuns. Na terça-feira, parecer emitido pelo Grupo de Trabalho Interinstitucional de Atividades de Exploração e Produção (GTPEG) alertou para a ausência de estudos geológicos sobre novas áreas. Ontem, após o resultado do leilão, outras entidades reafirmaram que vão acompanhar o processo. — Vamos cobrar algumas coisas já observadas na consulta pública — disse Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energias renováveis do Greenpeace Brasil, que alertou para o uso de mais de 600 produtos químicos no fraturamento hidráulico. A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária, que pede mais pesquisas, convocou para hoje uma reunião sobre o tema e disse que “acompanhará de perto” o processo. A ANP afirma que a exploração será regulamentada, inclusive em regiões que exigirem fraturamento. Segundo a agência, os poços terão de ser revestidos para que não contaminem as reservas de água subterrânea.
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