O diretor geral da Aneel, Romeu Rufino, prevê que o 4º ciclo propiciará variação negativa das tarifas de energia menor que a revisão anterior. "O impacto será menor porque a abrangência das mudanças também será menor", disse ontem no intervalo da reunião da diretoria. Ele explicou que, desta vez, a agência não vai mexer na taxa de depreciação dos ativos, sobre os quais incidem o Wacc, como fez anteriormente. As medidas adotadas no 3º ciclo levaram à definição de índices tarifários, em sua maioria, negativos. Rufino considera que outros parâmetros de acompanhamento das concessões que discutidos no 4º ciclo - como nível de produtividade, perdas de energia e custos operacionais na prestação do serviço - não forçarão uma queda representativa das tarifas de energia. Mesmo com reação positiva do mercado, alguns analistas defendem que a Wacc deveria ser elevada neste momento em razão das recentes turbulências enfrentadas pelo setor. A taxa de retorno das concessões é definida pela combinação de fatores que incluem a percepção de risco-país, ambiente de regulação, além de facilidades e condições para obtenção de crédito. Segundo o superintendente de Regulação Econômica da Aneel, Davi Antunes Lima, o Wacc tem como base as estimativas de remuneração sobre o capital próprio e de terceiros investidos. A renovação antecipada das concessões do setor elétrico é apontada como responsável pelo aumento da percepção de risco regulatório que deveria ter se refletido no cálculo do novo Wacc. Em razão disso, a taxa de retorno das concessões de distribuição deveria ser ampliada e não o inverso. Diretor da Aneel, André Pepitone disse que a agência não notou "qualquer deterioração" na percepção de risco. "A reação à MP-579 permitiu observar que existe internamente uma crítica muito grande, mas, se pegar a variação dos títulos do governo brasileiro como reflexo externo e colocar isso num gráfico, você mal vai ver a redução do risco contínua", disse. (Valor Econômico – 11.06.2014)
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