Notícias do setor
16/04/2013
ESS poderia ser de R$ 3,4 bilhões sem a geração eólica em 2012

Mauricio Godoi, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Operação e Manutenção
15/04/2013
A geração de energia eólica no Brasil ajudou a reduzir o ESS em cerca de R$ 450 milhões, somente em dezembro. Segundo cálculo apresentado nesta segunda-feira, 15 de abril, pela Associação Brasileira de Energia Eólica, se a produção de parques eólicos fosse substituída por térmicas, o brasileiro teria que pagar quase R$ 1,5 bilhão com esse encargo no mês. No ano, o valor evitado foi de R$ 1,6 bilhão, pois o ESS seria de R$ 3,4 bilhões.
A metodologia adotada pela entidade para chegar a esse valor tomou como base a substituição da geração eólica por usinas termelétricas, que à época ainda apresentavam disponibilidade de geração no ano passado. Por meio de modelos matemáticos, a entidade simulou o deslocamento de usinas térmicas de maior preço para o cálculo do ESS, uma medida que não poderia ser mais feita por estarmos com toda a capacidade térmica em operação.
O dado foi apresentado no primeiro Boletim Anual de Geração Eólica, e aponta que o país encerrou o ano passado com 2,6 GW de capacidade instalada, porém, desse volume, 622 GW ainda estão parados por falta de conexão decorrente dos atrasos de linhas de transmissão para dois parques no Rio Grande do Norte e outro na Bahia.
De acordo com a entidade, o país conta com 8,8GW de capacidade já contratada e que deverá entrar em operação até 2017. Até o momento, os projetos que foram enquadrados no Proinfa ainda são a maioria da capacidade que o Brasil apresenta, são 1,3 GW contra 1,2 GW de parques negociados nos leilões de energia nova realizados desde 2009, chamados de 2a. fase, sendo que cerca de metade dessa capacidade de geração ainda está parada por atrasos na conexão à Rede Básica.
Os dados da ABEEólica indicam que o fator de capacidade dos parques eólicos da segunda fase são o destaque com picos de até 71%. Na média, esse indicador em 2012 ficou em 54% ante os 27% de fator de capacidade dos primeiros projetos colocados no país, aqueles chamados de 1a. fase.
"As mudanças tecnológicas da geração eólica levaram esta fonte no Brasil a ser a mais competitiva do mundo. Em 2012 os resultados foram importantes para assegurar que é uma fonte confiável de geração, ainda mais no ano passado, quando o setor elétrico enfrentou uma escassez de geração hídrica por um período úmido não satisfatório", disse a residente da entidade, Élbia Melo.
A geração realizada no ano passado variou entre 362 MW médios, registrados no mês de março a até 771 MW do mês de outubro. Na análise de Otávio Silveira, presidente do conselho de administração da ABEEólica, esse nível de fator de capacidade foi alcançado em função das caracteristicas dos equipamentos, torres mais altas e mais tecnologia, além da necessidade de os investidores buscarem parques cada vez mais eficientes em decorrência do formato de leilões realizados atualmente. Além disso, o indicador também foi alcançado por meio de um volume favorável de ventos que foi registrado em 2012.
Isso, destacou ele, com 40% da potência instalada de novos parques tendo entrado a paritr da metade do ano para frente, e lembrou ainda é nessa época em que são feitos os ajustes finos dos equipamentos para poder extrair o máximo da capacidade instalada. A tendência é que esse desempenho seja melhor caso ocorra o mesmo perfil de vento de 2012.
Élbia disse ainda que esses elevados índices de fator de capacidade ajudaram a preservar, mesmo que de forma modesta, os níveis de reservatórios no país. Em 2012 o impacto foi pequeno, reconheceu ela, isso em função da participação ainda pequena da eólica na matriz energética. Contudo, a fonte deverá ser mais relevante para a preservação dos lagos ao passo que que aumenta sua capacidade instalada.

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