Autor(es): Maduro militariza setor elétrico na Venezuela
Valor Econômico - 26/04/2013
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou ontem uma intervenção na estatal de eletricidade Corpoelec para, segundo ele, "fortalecer a prestação do serviço elétrico" no país.
A medida ocorre em meio a uma série de apagões ocorridos durante o período pré e pós eleitoral e um dia após a renúncia de Argenis Chávez, irmão do ex-presidente Hugo Chávez, da presidência da empresa. Fecha também um ciclo de mudanças no setor, que começou com a nomeação de Jesse Chacón como ministro de Energia Elétrica e passou pela decretação de um "estado de emergência elétrica", com o emprego das Forças Armadas para "garantir a segurança das instalações".
Ex-militar, Chacón já ocupou vários cargos no governo chavista e, nos últimos anos até a eleição presidencial de 14 de abril, dirigia o instituto de pesquisas Gis XXI. Em seus estudos, o Gis XXI identificou por várias vezes o tema elétrico como um calcanhar de Aquiles na aprovação do governo, desde a época em que Hugo Chávez, morto em março, era o presidente.
Segundo analistas, a nomeação de Chacón, inclusive como interventor na Corpoelec, indica a prioridade que o tema terá na atual gestão e que Maduro compreendeu a gravidade do problema. O apertado e ainda contestado resultado da eleição presidencial de 14 de abril, em que Maduro derrotou o opositor Henrique Capriles por menos de dois pontos percentuais, reforça essa impressão.
A militarização do setor elétrico, ainda segundo analistas, deve ter caráter emergencial e tem três utilidades principais ao governo. A primeira, mostrar à população que algo está realmente sendo feito para resolver esse problema. A segunda, manter-se coerente ao discurso de Maduro, sustentado desde a campanha, de que há pessoas ligadas à oposição tentando sabotar o sistema. E, por fim, emprestar ao setor uma imagem de "capacidade de gestão", que alguns atribuem aos militares locais.
A saída do irmão de Chávez, para dar lugar a um homem com a boa imagem que tem Chacón, dizem as fontes, deixa o governo mais à vontade para promover uma "flexibilização das licitações" a fim de resolver os problemas emergenciais, sem alimentar, com isso, mais suspeitas de corrupção - outro ponto fraco do chavismo.
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