As distribuidoras, após um 2013 desgastante, correm o risco de sofrer uma nova crise financeira em 2014. É o que afirma o relatório de novembro da PSR, intitulado "As Distribuidoras Voltarão ao Fundo do Poço Financeiro em 2014?". As incertezas são muitas e parte da resposta, segundo a análise que se estende por 13 páginas, será dada em 17 de dezembro. Nessa data, ocorre um leilão que pretende garantir contratos de energia para abastecer as distribuidoras e vai definir o destino do caixa delas a partir do próximo ano. "O leilão será uma espécie de divisor de águas para o setor no aspecto financeiro", diz Nelson Fonseca Leite, presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee). Pelas estimativas da PSR, a conta total do Tesouro pode fechar o ano em R$ 17 bilhões. Pouco mais de 12% desse valor (R$ 2,1 bilhões até setembro) foi usado para uma finalidade específica: cobrir o gasto das distribuidoras com a compra de 2 mil MW médios no chamado mercado à vista. Nesse mercado, o preço oscila de acordo com as chuvas, o nível dos reservatórios, o número de térmicas ligadas e a demanda dos compradores. Enfim, é o lugar dos imprevistos financeiros. Segundo a PSR, em dezembro de 2013, contratos que somam outros 4 mil MW médios vão vencer. O buraco no abastecimento, via contratos, chegará a 6 mil MW médios. É uma enorme quantidade de energia. Corresponde a mais de um terço do abastecimento de todas as residências do País. "A raiz dessa bola de neve é a teimosia de uma estratégia política: insistir em dar o desconto da conta de luz quando não era viável", diz Priscila Lino, consultora da PRS. "O governo deveria ter recuado porque havia problemas, como o baixo nível dos reservatórios e o alto custo de ligar as térmicas por muito tempo." O nível de exposição das distribuidoras varia. Alguns exemplos: Copel precisa de 1 mil MW médios, 33% de sua carga, Elektro, de 34% da carga, CEEE, 27%, AES-SUL, 25%, Light, 12%, CPFL, de cerca de 5%. (O Estado de São Paulo- 08.12.2013)
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