Ameaça de rebaixamentoCorreio Braziliense - 17/12/2013 Em relatório, a agência de classificação de risco Fitch avalia que empresas brasileiras podem ter a nota de crédito rebaixada e enfrentar problemas para conseguir financiamento em 2014 "devido às condições econômicas fracas". Empresas do Brasil correm risco de ter nota reduzidaAs empresas brasileiras permanecerão sob pressão e ameaça de rebaixamento no próximo ano. A agência de classificação de risco Fitch anunciou ontem, em relatório, que as companhias da América Latina enfrentarão grandes desafios. "A Fitch está pessimista sobre a habilidade das empresas brasileiras em fortalecerem seus perfis de crédito durante 2014 devido às condições econômicas fracas", disse o diretor da agência, Joe Bormann.As principais preocupações são motivadas pela perspectiva de crescimento menor da oferta de crédito, maior cautela dos consumidores e baixa utilização da capacidade das indústrias brasileiras. Do lado positivo, acrescentou a Fitch, o risco de calotes é pequeno, devido às fortes posições de liquidez.O que está claro, na avaliação do economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho, é que o cenário de 2014 é de um mercado mais avesso ao risco. "Os capitais tendem a migrar para os Estados Unidos e a Europa, que estão com as economias em franca recuperação", afirmou. Segundo ele, essa situação vai dificultar o financiamento das empresas brasileiras, que terão de pagar prêmios de risco mais altos ao buscar crédito. "A disputa pelos recursos será muito maisacirrada, e o fluxo para os emergentes, menor", destacou.Para Velho, o governo brasileiro é responsável pela falta de confiança no país e pela possibilidade de rebaixamento nas notas de risco. "O governo terá que prolongar o aperto monetário e provar que vai fazer algo a respeito das contas públicas. Mas existem muitas dúvidas de que vá promover o ajuste fiscal necessário. Isso respinga em toda a economia", destacou.Na análise do economista Jason Vieira, do portal de informações financeiras MoneYou, o cenário ruim para o ano que vem aumenta a possibilidade de rebaixamento anunciada pela Fitch. "A captação de financiamento será mais difícil. Companhias que dependem de crédito, como bancos, ou setores como o varejo terão um ano complicado", afirmou.Com ausência de linhas de crédito que possam sustentar suas operações, Vieira explicou que essas empresas entrarão em processo de revisão da sua classificação de risco pelas agências internacionais. "Infelizmente, para baixo", acrescentou.Em toda a América Latina, o número de rebaixamento de ratings, pela Fitch, neste ano, foi maior do que o de melhora das classificações. Na região, 24 emissões de títulos tiveram perspectiva negativa, e apenas sete foram positivas. Nove das perspectivas negativas foram para empresas localizadas na Argentina.
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