Notícias do setor
18/12/2013
Com 3,5GW médios em aberto, distribuidoras temem rombo de até R$ 5,6 bi com PLD alto

Empresas vão pedir socorro ao governo para evitar impacto no caixa previsto com o PLD médio em 2014 acima de R$ 240/MWh Mauricio Godoi, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Negócios e Empresas 
17/12/2013 O resultado do leilão de energia A-1 deixou uma buraco de cerca de 3,5 GW médios de demanda descontratada nas distribuidoras. Esse volume cria um risco de deficit nas contas das concessionárias que segundo cálculos da Associação Brasileira das Distribuidoras de Energia Elétrica pode variar entre R$ 3 bilhões a R$ 5,6 bilhões, de acordo com a oscilação do PLD no ano de 2014. A solução para equilibrar esse impacto no caixa das empresa passa necessariamente pelo governo, com grandes chances de que o repasse da CDE seja estendido por mais um ano.De acordo com o presidente da Abradee, Nelson Fonseca Leite, a previsão de déficit tem como base uma faixa de PLD médio entre R$ 160 e R$ 240 por MWh. Antes do leilão realizado nesta terça-feira, 17 de dezembro, pela Aneel a perspectiva era de que as empresas precisariam contratar cerca de 6,2 GW médios, contudo, as concessionárias conseguiram fechar acordos que supriram 40% da necessidade."O quadro de 2014 é complicado tendo em vista que o preço médio da energia que é considerada na tarifa é de R$ 110 por MWh enquanto que no A-1 o valor médio e de R$ 177,22 por MWh", explicou o executivo. "Além dessa diferença temos 3,5 GW descontratados e que ficarão expostos ao PLD, esses dois impactos levam ao valor de até R$ 5,6 bilhões que as concessionárias terão que carregar até o evento de reajuste tarifário", acrescentou.Além da exposição mais elevada, outro assunto que trará pressão sobre as concessionárias de distribuição é o adiamento das bandeiras tarifárias. Apesar de serem eventos independentes e que possuem origens diferentes afetam diretamente o caixa das empresas.Para compensar esses fatores, o presidente da entidade disse que há várias alternativas que se estuda mas que essas passsam necessariamente pelo governo. Ele apontou que quanto mais cedo se discutir o que fazer para o ano que vem melhor. Mesmo com a incerteza de qual será o patamar do PLD médio de 2014 pode-se traçar medidas saneadores diferentes de acordo com o cenário que o ano que vem apresentar. No geral, ele evitou afirmar que a solução encontrada para o problema deste ano, resolvida pelo decreto 7.945 seja a melhor opção.Contudo, segundo avaliação prévia de José Rosenblatt, diretor da PSR, a tendência é de que o governo volte a socorrer as distribuidoras. "Acho que não tem como evitar um novo processo de cobertura das distribuidoras por meio da CDE porque se tiver realmente essa despesa, não é possível que elas consigam absorver esse custo sem ter o aporte imediato", afirmou ele.A perspectiva é de que as distribuidoras fiquem com um volume de descontratação 75% maior que no ano passado. Mas o cenário, disse Rosenblatt, ainda dependerá muito do PLD do ano. Se tivermos chuva e o indicador recuar, as empresas estarão bem, caso se mantenha o atual patamar há um grande problema no curto prazo.Essa é a mesma opinião do presidente da Thymos Energia, João Carlos Mello. De acordo com o executivo, esse nível de exposição coloca uma pressão sobre as empresas que poderá ser revertida apenas com chuva e o PLD mais baixo. Contudo diz que não é o caminho que se desenha para o ano de 2014. O repasse da CDE parece ser a solução o que volta a colocar este segmento refém do governo. Ou ainda, pode ser que exista alguma outra regra nova, mas que não parece ser o caso.O presidente da Abradee diz que uma das alternativas para o repasse desse valores adicionais repassado às distribuidoras poderia ser incluído no reajuste tarifário. Outra alternativa seria a adoção de uma revisão extraordinária pois o impacto sobre o caixa das distribuidoras é grande e está previsto no contrato de concessão.Somente este ano o repasse da CDE para as distribuidoras no âmbito do decreto 7.945 será de R$ 9,6 bilhões, segundo a Abradee. A perspectiva com o aumento dos repasses é de que o impacto para a tarifa do consumidor final seja entre três e seis pontos percentuais no ano. "Esse é um efeito médio no país, depende do nível de exposição de cada distribuidora", ressaltou o representante da Abradee.Na avaliação do presidente da Thymos Energia a situação que vemos hoje no setor de distribuição é o resultado da falta de planejamento do governo. "Desde 2010 que se procura falar sobre o volume de energia cujos contratos terminavam em 2012 e agora em 2013. Mas aí o governo vem e decide em cima da hora. Como não se conseguiu repor esses contratos temos essa situação agora que coloca pressão sobre o caixa das empresas", relatou Mello.

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