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19/12/2013
Exposição das distribuidoras não deverá afetar o mercado livre, estimam agentes

3,5GW médios de demanda descontratada para 2014 levará a impacto financeiro a depender da variação do PLD, sem pressionar o abastecimentoMauricio Godoi, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Mercado Livre 18/12/2013  Apesar da exposição involuntária das distribuidoras em 2014 na casa de 3,5 GW médios, a perspectiva do mercado é de que esse volume não traga pressão ao mercado. Um dos motivos é que há garantia física disponível para atender as concessionárias que precisarão recompor a demanda que está exposta ao mercado de curto prazo. Para agentes ligados ao mercado livre, energia existe, o problema será financeiro e não de abastecimento.Essa expectativa já pode ser vista na avaliação que o presidente da Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica, Nelson Fonseca Leite, fez do certame realizado na última terça-feira, 17 de dezembro. Segundo os cálculos da entidade se o PLD médio ficar em R$ 240 por MWh o impacto para as concessionárias poderia chegar a R$ 5,6 bilhões no ano.
De acordo com o gerente geral de Risco e Inteligência de Mercado da Ecom Energia, Carlos Caminada, o resultado do leilão desta semana não deverá tirar a liquidez do mercado livre. Segundo sua análise, há um equilíbrio entre os dois ambientes porque a garantia física que não está contratada nas distribuidoras está disponível no ACL. Essa visão pode ser referendada até mesmo pela afirmação dos grandes consumidores de energia elétrica, representados pela Abrace. Segundo o presidente da entidade, Paulo Pedrosa, houve negociações desses consumidores, que são empresas eletrointensivas, para participarem da venda de energia às distribuidoras. Ele explicou que essa possibilidade foi avaliada pelas companhias porque há entre essas corporações sobras de energia."Procuramos o governo para que pudéssemos vender as sobras às distribuidoras", revelou Pedrosa à Agência CanalEnergia. "A partir de fevereiro com a cessão de excedentes passando a vigorar poderíamos utilizar esse dispositivo. Hoje, não seria muito falar em algo entre 800 MW médios e 1 mil MW médios que poderiam atender o mercado", revelou ele. Apesar disso, Pedrosa avaliou a contratação de mais de 2,5 GW médios como positiva. Ele também não vê um cenário tão grave para as distribuidoras que poderão recompor essa demanda por meio de eventuais leilões de ajuste no ano que vem.Caminada, da Ecom, diz que a sua expectativa é de que o PLD ainda se manterá mais alto, um fator que não é considerado anormal pelo mercado. Isso porque é necessário que se observe o comportamento dos reservatórios ao longo do período úmido. Ele cita por exemplo a situação reversa pela qual o Brasil passava que era de reservatórios cheios no inicio de 2012 e quando chegou ao final do ano estavam deplecionados."O preço da energia para 2014 está pressionado porque vemos o PLD em um patamar elevado, imaginamos que este indicador deverá seguir assim enquanto os reservatórios estiverem baixos. Para reverter essa situação precisamos da recuperação dos níveis, mas não imaginamos que seja ao patamar verificado dois anos atrás", afirmou o executivo. Quanto ao resultado do leilão, ele disse que o momento é de incertezas, justamente porque agora não se sabe para onde os preços da energia caminharão. Além disso, a contratação de 2,5 GW médios no leilão de ontem não é algo desprezível. Acontece, lembrou ele, que o volume de exposição para 2014 é muito elevado.O presidente da Trade Energy, Walfrido Ávila, é outro agente do lado das comercializadoras que acredita na manutenção de preços em um patamar mais elevado, mas sem que a liquidez do mercado livre seja prejudicada. Ele corrobora a expectativa de incertezas para o comportamento do PLD em 2014 em função do volume de chuvas, que ainda não se tem ideia de que caminho seguirá.Para ele, mesmo assim a demanda será atendida porque há o parque térmico que segura a demanda nacional, a questão acaba sendo mesmo o impacto financeiro, que não se conhece, pois o de abastecimento aparenta, ao analisar a sua posição, seguro com o atual parque gerador. A exposição involuntária das distribuidoras acabará sendo paga. 

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