Empresa que assumirá o controle das concessionárias em abril planeja investimentos de R$ 3,3 bilhões em quatro anosMauricio Godoi, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Negócios e Empresas 28/01/2014 A aprovação da transferência das distribuidoras do grupo Rede para a Energisa encerra uma fase para as distribuidoras controladas pelo empresário Jorge Queiroz e inicia outro que deverá terminar ao final de 2017. Essa é a previsão de quando as companhias que passarão a fazer parte do grupo mineiro apresentarão a sustentabilidade e os padrões de qualidade exigidos pela Aneel. Até lá o plano é de investir R$ 3,3 bilhões nas oito distribuidoras."Almejamos em 2017 estarmos com todas as empresas dentro dos padrões de qualidade demandada pela agência reguladora e estarmos dentro dos patamares aceitáveis de alavancagem, indicadores condizentes com o negócio de energia elétrica", afirmou o diretor Financeiros e de Relações com Investidores da Energisa, Maurício Botelho à Agência CanalEnergia.Para manter os níveis de alavancagem a empresa vem desenhando um aumento de capital de cerca de R$ 500 milhões. Além da família Botelho, estão incluídos na operação a Gávea Investimentos e Antônio José Carneiro. De acordo com o último balanço trimestral, referentes ao terceiro trimestre do ano passado, o indicador dívida líquida/ Ebtida (resultado antes de impostos, juros, depreciação e amortização) ajustado em 12 meses no grupo estava em 2,9 vezes.A aquisição envolve ainda o empréstimo de R$ 1,5 bilhão que foram obtidos junto aos bancos Itaú, Citibank e BTG Pactual. Há ainda outras três condições para a efetivação da transferência do controle das empresas do grupo Rede para a Energisa.A primeira é o reconhecimento da Justiça americana de que houve um processo de recuperação judicial por aqui e que o torne válido para permitir o cumprimento de condições sobre os bônus emitidos pelo Grupo Rede. A eliminação de ônus sobre as ações que serão transferidas à Energisa de modo que a empresa esteja livre para adquirir esses papeis, ônus estes que são o resultado de processos judiciais anteriores ao de recuperação da Rede. E, a última é a aprovação da operação pelo BNDESpar, acionista do Grupo Rede.Apesar dessa lista, Botelho se mostra otimista e diz que a terceira condição já foi encaminhada e as demais não são complexas para serem cumpridas. Então, ele disse que somente por conta de uma grande reviravolta é que poderá ocorrer algum problema nesse processo de transição que deverá se encerrar em 15 de abril. Ao assumir a concessão, a ideia da Energisa é de aplicar um plano de investimento maior que o feito pelo antigo controlador. Os montantes médios investidos passariam da ordem de R$ 600 milhões para a casa de R$ 820 milhões, um aumento de mais de 35% ao ano.Nem mesmo o problema da exposição do mercado de distribuição ao mercado de curto prazo parece ser um grande problema nos planos da Energisa. Até porque as empresas do grupo Rede estão expostas em um nível abaixo da média do país. Segundo Botelho, esse fator surpreendeu positivamente, pois foi o resultado de uma redistribuição de contratos pela intervenção, principalmente pela sobrecontratação da Cemat (MT).O negócio envolve, além da empresa matogrossense, a Enersul (MS), Celtins (TO), Caiuá Distribuição (SP), Empresa Elétrica Bragantina (SP), Vale Paranapanema (SP) e Companhia Força e Luz do Oeste (PR). Há também a transferência da concessionária Tangará Energia no segmento de geração. E ainda, a Energisa ficará com as ações das holdings Denerge, JMQJ, BBPM e EEVP.A Energisa planeja reduzir o nível de terceirização de serviços. "O nível de contratação de prestadores de serviços nas empresas do grupo Rede é maior do que na Energisa. Deveremos internalizar atividades respeitando as características de cada empresa, mas nossa ideia é absorver o máximo desses funcionários que hoje são terceirizados", concluiu ele.
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