Correio Braziliense - 31/01/2014 Fundo Monetário vê o Brasil com economia sólida, mas recomenda aos países da região que reforcem as contas públicas, elevem juros e mantenham câmbio flexívelWashington — O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que a economia brasileira é sólida o suficiente para enfrentar o aumento da volatilidade nos mercados globais. Mesmo assim, a instituição recomenda ao país e às demais nações da América Latina e do Caribe, que reconstruam os mecanismos de proteção fiscal, reforçando as contas públicas, e usem a política monetária e sistemas de câmbio flexível para absorver os choques geradoS por grandes mudanças na economia global.
Os alertas foram feitos ontem em um blog oficial da entidade pelo diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Alejandro Werner. Ele afirmou que, apesar da expectativa de retomada de crescimento da região, a turbulência nos mercados é um grande desafio. Recentemente, os temores sobre a situação de muitas economias emergentes provocaram um êxodo de investidores desses mercados, levando bancos centrais a elevar os juros para conter os efeitos das vendas generalizadas.
Segundo o FMI, a forte depreciação do peso argentino reforçou o medo de crise cambial na nação sul-americana, que pode espalhar-se para parceiros regionais, como Uruguai e o Brasil. Mesmo assim, Werner afirmou que economias menores, como o Uruguai e o Paraguai, estão mais bem preparadas do que no passado para lidar com choques devido ao contágio da Argentina. Hoje, disse ele, o impacto da depreciação cambial sobre a inflação é menor na região do que era há 20 anos.
A turbulência nos mercados de câmbio acentuou-se com a decisão do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, de reduzir as injeções mensais de recursos na economia. Até o fim de 2013, os estímulos monetários somavam US$ 85 bilhões por mês, número que foi reduzido para US$ 75 bilhões em janeiro e para US$ 65 bilhões a partir deste mês. A medida provocou o refluxo, em direção aos EUA, dos dólares que haviam migrado para países emergentes, desestabilizando as moedas de vários deles.
InfraestruturaO Brasil, segundo o diretor do FMI, também precisa resolver o problema de infraestrutura, em áreas como portos e rodovias, para recuperar níveis de crescimento mais robustos. “O Brasil tem gargalos pelo lado da oferta que limitam o produto e pressionam a inflação, então vemos um crescimento que não superará o do ano passado, de 2,3%”, afirmou.
De acordo com o diretor, a mudança da economia global terá efeitos diferentes nos países latino-americanos. O México deve se beneficiar da retomada dos EUA e crescer 3% neste ano, mas as nações da América do Sul sofrerão com a queda dos preços de commodities.
“Ainda não é o momento de autoridades da América Latina descansarem. Continua sendo necessário recompor margens fiscais e usar a política monetária e o câmbio flexível para absorver os impactos”, destacou Werner.
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