Por Ajay Makan, Ben Bland e Daniel Dombey | Financial TimesLONDRES - Governos e empresas em mercados emergentes estão enfrentando aumentos acentuados nos preços dos combustíveis, que ameaçam ampliar os déficits comerciais ou reduzir o crescimento econômico, como resultado das recentes turbulências no mercado cambial.Embora o petróleo Brent continue bem abaixo do pico de 2008 em dólar, está em níveis recordes quando cotado em rand sul-africano e lira turca. Nas moedas da Índia, Indonésia e Brasil - os outros países do grupo chamado "Cinco Frágeis" formado por economias expostas a grandes contas de importação - o Brent atingiu níveis recordes no ano passado.O resultado é um dilema para os governos de países emergentes. Ou eles permitem que os custos dos combustíveis aumentem, alimentando a inflação e desestimulando o consumo, ou eles absorvem os preços mais altos através de subsídios, acumulando ainda mais pressão sobre os já apertados orçamentos fiscais."A desvalorização das moedas e os maiores custos de importação de petróleo estão testando os padrões de crescimento nos mercados emergentes, que fazem uso intensivo de energia", disse Amrita Sen, diretor da consultoria Energy Aspects.Muitas economias em desenvolvimento se tornaram grandes importadores de petróleo ao longo da última década, conforme ampliaram a industrialização. Isso ajudou a manter os preços do petróleo acima de US$ 100 o barril, apesar de a maior eficiência no uso dos combustíveis tenha ajudado a diminuir a a demanda em outros lugares.Mas, com a depreciação de suas moedas, os governos de emergentes podem ter dificuldades para manter altos níveis de importações.Na África do Sul, o preço da gasolina bateu recorde na sexta-feira, depois de o Brent chegar à cotação máxima histórica de mais de 1.210 rands por barril na semana passada, enquanto na Turquia - onde a energia representa mais da metade do déficit comercial - o custo do petróleo em liras subiu 40% desde abril."Este é um grande entrave para os mercados emergentes, onde o transporte e a alimentação formam a maior parte das despesas de muitas pessoas. O combustível mais caro significa menos dinheiro disponível para outros gastos", afirmou Walter de Wet, chefe de pesquisa de commodities do Standard Bank em Joanesburgo.Operadores do mercado de petróleo dizem que a maioria dos mercados emergentes ainda não diminuiu as importações, principalmente porque os programas de subsídio - que fixam o preço a que os combustíveis são vendidos no mercado interno - têm protegido os consumidores de preços mais elevados.Mas estes programas estão ficando caros. Em outubro passado, a Indonésia previu que gastaria até 11% do seu orçamento de 2014 com os subsídios aos combustíveis. Mas a rúpia indonésia está agora 20% abaixo dos parâmetros do governo, o que eleva significativamente o custo do produto.Uma vez que os preços elevados do petróleo são repassados para os consumidores, isso pode ter um efeito imediato sobre a atividade econômica. A Índia elevou os preços do diesel depois da desvalorização da rúpia no semestre passado, e o consumo de combustível caiu em seis dos últimos sete meses.
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