Notícias do setor
05/02/2014
Juro real supera 5,4% com alta de taxa futura

A forte alta dos juros futuros na semana passada, em meio à expectativa de que o Banco Central (BC) possa elevar ainda mais a taxa Selic para mitigar os efeitos da onda de desconfiança em torno dos emergentes, levou o juro real a superar 5%. Esse nível não era visto desde agosto de 2011, justamente o mês em que o BC iniciou o processo de afrouxamento monetário, que levou a taxa básica de 12,50% até o recorde de baixa de 7,25%, em outubro de 2012. Em 31 de dezembro do ano passado, o juro real - medido pela diferença entre o contrato "swap" com prazo de 360 dias e o IPCA projetado doze meses à frente - estava em 4,30%. No último dia de janeiro, a taxa era de 5,44%, ou seja, houve um aumento de 1,44 ponto em apenas um mês. Nesse período, o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a meta da Selic em 0,50 ponto percentual, para 10,50% ao ano. Como a Selic subiu menos, o avanço da taxa real para 5% foi decorrência, portanto, da própria dinâmica dos juros futuros. Com a recente onda de aversão a risco, investidores passaram a especular com a possibilidade de que o BC estenda o atual ciclo de alta da taxa básica, o que provocou uma forte elevação dos juros futuros na BM&F, com investidores liquidando posições prefixadas. Pode-se dizer que, antecipando-se ao BC, o mercado apertou ainda mais a política monetária. Para Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da gestora de recursos Simplific e professor do Ibmec-RJ, "o ciclo de alta deve terminar com a Selic em 11%. Não vejo sentido em pôr a taxa em 12%, como a curva a termo está mostrando. (Valor Econômico – 04.02.2014)

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