Notícias do setor
06/02/2014
Medidas extremas

Autor(es): ROSANA HESSELCorreio Braziliense - 06/02/2014 Para não ficar na mão de São Pedro, o governo já avalia adotar medidas extremas, caso a situação dos reservatórios, que estão em níveis baixos, se agrave ainda mais. Segundo fontes do setor, o Operador Nacional do Setor Elétrico (ONS) estuda recomendar a suspensão temporária do uso preferencial dos rios para a irrigação no Nordeste e o adiamento de manutenções periódicas em hidrelétricas. Os temores com a insegurança no fornecimento de eletricidade — sistematicamente negada pelo governo — já começam a afetar perspectivas de negócios e o valor das ações das empresas do setor.
Para evitar o repasse às tarifas do elevado custo da energia gerada emergencialmente de usinas movidas a gás e a diesel, bem mais caras, o governo lançará mão, novamente, de recursos do Tesouro. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que pretende ampliar a verba da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), usada para cobrir o uso das termelétricas.
“Se for necessário, isso será feito, mas não sabemos ainda em que medida. Temos que esperar mais um pouco para saber se teremos mais ou menos chuva. Mas daremos cobertura para esse problema, de modo que isso não passe para a tarifa do consumidor final”, disse o ministro. Os R$ 9 bilhões atualmente previstos para a CDE no Orçamento seriam insuficientes para evitar o repasse às contas de luz, se as térmicas tiverem que continuar ligadas por muito tempo.
DistorçãoOs especialistas estão preocupados. “A resistência das autoridades em pedir ao povo que economize na conta de luz e o autoritarismo de decisões do governo que afetaram a saúde financeira das empresas do setor elétrico tornaram o quadro ainda mais instável”, observa Andrew Storfer, presidente da América Energia. Ele não acredita em melhora do cenário antes do fim de fevereiro e lamenta que alguns danos ao mercado elétrico são “irrecuperáveis no médio prazo”.
Walter Fróes, diretor da CMU, acrescentou que a distorção no mercado livre, com o preço do megawatt-hora (MWh) atingindo o teto de R$ 822, está levando indústrias a interromper a produção e revender a energia contratada para ganhar com a cotação. “A mesma situação de intervencionismo ocorreu com a Petrobras. O controle de preços deixou a maior empresa do país em gravíssima situação financeira”, comparou. Outro analista lembra que a sorte do governo está justamente no baixo crescimento econômico verificado nos últimos anos. Caso contrário, o colapso do fornecimento seria evidente, forçando a um uso ainda mais intensivo de termelétricas (Colaborou Silvio Ribas)

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