Notícias do setor
07/02/2014
Térmicas a óleo devem ficar ligadas até 2015

Petrobras já garantiu suprimento para os próximos 12 meses. CMO poderá chegar a R$ 1.100Carolina Medeiros, da Agência CanalEnergia, Operação e Manutenção 06/02/2014 As térmicas a óleo deverão ficar ligadas, pelo menos, até 2015. A Petrobras já garantiu o suprimento do combustível para os próximos doze meses, o que não é comum, segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira de Geração Flexível, Marco Antonio Veloso. Ele contou que na última sexta-feira, 31 de janeiro, foi apresentado o aditamento do contrato de combustíveis já com esse prazo."A Petrobras celebra aditivos contratuais conosco periodicamente. Mas na sexta-feira passada, o aditivo veio com prazo de 12 meses. Há muito tempo que isso não acontecia, normalmente esse prazo é de dois a três meses e em alguns momentos chegou até a ser mensal", frisou. Para Veloso, isso é um forte indicativo de que a própria Petrobras já antevê que o despacho será frequente e intenso durante esse período. O país passa por um momento delicado, com altas temperaturas e recordes de carga de um lado e hidrologia ruim, com baixo nível dos reservatórios de outro.Devido a esse cenário, segundo Veloso, todas as térmicas a óleo estão despachadas. Isso deverá elevar o Custo Marginal de Operação, a ser apresentado no Programa Mensal de Operação divulgado todas as sextas-feiras pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico. Na semana passada, o CMO chegou a R$ 1.065, o que levou o Preço de Liquidação das Diferenças a atingir seu valor máximo de R$ 822,23/MWh. Mas o valor do CMO poderá subir ainda mais para algo em torno de R$ 1.100, visto que esse é o valor da térmica mais cara que está sendo utilizada."A nossa geração a óleo é uma geração de emergência e estamos operando na base. Isso reflete que o sistema como um todo não está bem balanceado. Se estivesse balanceado estaríamos operando um mês, um mês e meio por ano", declarou. As térmicas a óleo, de acordo com ele, estão operando sistematicamente desde outubro de 2012. "Ou na base ou na hora de ponta, sempre está entrando. E nós não somos o tipo de usina para ficar suprindo ponta. Somos contratados exatamente para ser emergência", apontou.Enquanto os leilões tiverem como parâmetro o preço, na opinião de Veloso, a matriz estará desequilibrada. "Precisamos contemplar cada fonte na sua vocação. Essa modelagem dos leilões sobre o primado do preço é que conduz a essas distorções todas", declarou. Na escala de preços, as térmicas a óleo são as mais caras e, justamente por isso, são as últimas a serem acionadas quando o problema é energético. Mas, mesmo assim, o governo insiste em afirmar que o país está numa situação de equilíbrio.O presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia, Mário Menel, diz que a situação não é boa e que não entende porque não estão dando sinais para a população para economizar energia. "Pelo contrário, os sinais estão trocados. O governo deu desconto na tarifa de energia e está dando um subsídio para manter essa tarifa mais baixa. E isso leva a um sinal econômico equivocado", comentou. A questão é que o governo teme a palavra "racionamento" desde o ocorrido em 2001, ainda mais em ano de eleição presidencial. As bandeiras tarifárias, que dariam a sinalização sobre a situação energética para o consumidor e que entrariam em vigor em janeiro desse ano, foram adiadas para o ano que vem.Para Menel, se o comunicado à população para economizar energia for bem feito, isso não respingará nas eleições. "A resposta pelo lado da demanda vem muito mais rápido, a exemplo do que vimos em 2001. Não dá para querer aumentar agora a capacidade de geração do país. Tem projetos entrando em operação, mas também tem muitos projetos, inclusive de transmissão, atrasados", comentou.Ele disse ainda que se for analisado friamente a capacidade instalada do sistema com a carga do sistema, o país tem capacidade para suprir essa carga. "Agora, tem que ver como está a manutenção disso. Térmicas exigem mais manutenção" apontou. Além disso, ele avalia que o sistema está operando perto do limite e é nessas ocasiões que todos os problemas que podem acontecer ficam potencializados. "A situação nossa não é boa. Estamos com vazões afluentes mais baixas que a expectativa e a carga mais alta que a expectativa", avaliou.

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