Valor é o maior desde 2008 e prevê corte de carga de 0% até 5%. MME assegura abastecimento de energiaAlexandre Canazio, da Agência CanalEnergia, Operação e Manutenção 10/02/2014
O Custo Marginal da Operação alcançou R$ 1.697,40 por MWh nas cargas pesadas e média e R$ 1.681,50/MWh na carga leve dos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul. Os valores, que são os maiores registrados desde 2008, quando os reservatórios baixaram a níveis preocupantes, ultrapassaram o custo de déficit de R$ 1.364,42/MWh, que prevê cortes de carga de 0 até 5%.Mas o Operador Nacional do Sistema Elétrico ainda não detectou nenhuma alteração na operação, que demande algum nível de corte de carga no país. No sumário executivo do Programa Mensal de Operação, o ONS avalia que, como as regiões Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte estão em pleno período úmido, existe a expectativa de reversão do atual cenario hidrológico. "Assim sendo, a operação do SIN será realizada considerando o pleno atendimento aos requisitos de carga", afirma no documento.O Ministério de Minas e Energia divulgou nota nesta segunda-feira, 10 de fevereiro, assegurando o fornecimento de energia elétrica do país, "em quantidade e qualidade necessárias ao adequado atendimento de todos os consumidores", "apesar das adversidades climáticas que o país enfrenta, com a consequente redução da afluência hídrica dos reservatórios das usinas hidrelétricas".Segundo o MME, o planejamento do setor elétrico brasileiro considera um cenário conservador em relação ao consumo de energia. "Além disso, com vistas à segurança, contrata-se nos leilões de reserva uma capacidade de geração adicional para atender o crescimento do mercado. Esses critérios de planejamento fazem com que haja sempre um excedente de energia, o que garante o suprimento mesmo com eventuais atrasos de algumas obras de geração", afirmou na nota, acrescentando que "a transmissão também é dimensionada considerando um cenário conservador de carga em cada subsistema".Especialistas e agentes entrevistados pela Agência CanalEnergia, nas últimas semanas, tem demonstrado preocupação com a operação do sistema. As térmicas a óleo já garantiram o combustível para todo ano na expectativa de uma operação prolongada. "A nossa geração a óleo é uma geração de emergência e estamos operando na base. Isso reflete que o sistema como um todo não está bem balanceado. Se estivesse balanceado estaríamos operando um mês, um mês e meio por ano", declarou Marco Antonio Veloso, presidente-executivo da Associação Brasileira de Geração Flexível.O presidente da Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia, Mário Menel, diz que a situação não é boa e que não entende porque não estão dando sinais para a população para economizar energia. "Pelo contrário, os sinais estão trocados. O governo deu desconto na tarifa de energia e está dando um subsídio para manter essa tarifa mais baixa. E isso leva a um sinal econômico equivocado", comentou.Flávio Neiva, presidente da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica, lembrou que a formação do PLD leva em consideração quatro fatores: nível dos reservatórios, afluência, oferta de energia e mercado. Os dois primeiros estão em queda, como mostra o próprio PMO, a oferta tem crescido, mas o ritmo da demanda tem sido maior. Ele lembrou que a energia natural afluente em janeiro passado estava menor do que a realizada no ano anterior.As previsões meteorológicas mais otimistas apontam o retorno das chuvas a partir da próxima semana. Essa tendência deve reforçar a necessidade de chuvas bem acima da média no período de fevereiro a abril para que a afluência volte pelo menos a média, compensando o déficit de janeiro.A atuação do ERAC para conter um corte ainda maior da carga no Centro-Sul do país, que deixou mais de três milhões de unidades consumidoras sem energia em 13 estados e no Distrito Feral, aumentou o nível de preocupação com o setor.
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