Notícias do setor
12/02/2014
Sistema elétrico está vulnerável a blecautes, alerta PSR

Problemas na transmissão e falta de potência instantânea são preocupantes, na avaliação da consultoriaCarolina Medeiros, da Agência CanalEnergia, Operação e Manutenção 11/02/2014 O sistema elétrico brasileiro está vulnerável a blecautes, na avaliação da PSR. Além do risco de decretar racionamento, que segundo cálculos da consultoria, está em 17,5% em 2014 para cortes superiores a 4% e considerando as vazões do ONS para fevereiro, há ainda os problemas relativos a falhas no sistema de transmissão e falta de potência instantânea. Neste último caso, mesmo que não haja falhas na transmissão, a capacidade total de geração é insuficiente para atender ao consumo, podendo resultar também em interrupção no fornecimento de energia.Para avaliar a evolução do desempenho do sistema de transmissão, a PSR calculou o ISS - Indicador de Severidade do SIN - para os anos de 2007 a 2012, utilizando dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico. "Os resultados indicam que o ISS vem aumentando e que o limite tolerável de 21 minutos, estabelecido nos Procedimentos de Rede do ONS, foi amplamente excedido nos últimos anos", apontou a consultoria na edição de janeiro do Energy Report. Pelo cálculo da PSR, o ISS chegou a quase 40 minutos em 2011 e ultrapassou 50 minutos em 2012."Ao contrário do que talvez se imagine, os problemas na transmissão não se devem aos atrasos na construção de novas linhas de transmissão nem ao critério de planejamento N-1", afirmou a consultoria. Ao analisar relatórios do ONS sobre os dez maiores blecautes de porte ocorridos entre agosto de 2012 e setembro de 2013, foi revelado que nove dos dez blecautes se originaram de falhas em subestações. E essas falhas, ainda de acordo com a PSR, resultam de problemas de manutenção e de ações operativas.A análise indicou ainda que o décimo blecaute, que resultou em uma extensa interrupção na região Nordeste, possivelmente seria evitada se houvesse um monitoramento em tempo real das queimadas e um reforço na capacidade computacional dos centros regionais do ONS. "A PSR alertou que os gastos com geração térmica de segurança elétrica associada a este blecaute foram muito superiores ao que teriam custado as medidas sugeridas", apontou.A segurança operativa do sistema requer ainda que a cada instante esteja disponível uma capacidade de geração adicional, conhecida como reserva girante. O objetivo desta reserva é ajustar rapidamente o equilíbrio entre energia produzida e consumida caso haja uma variação brusca do consumo, como no horário de ponta, e/ou uma falha intempestiva de um gerador. No Brasil, o nível mínimo de reserva girante deve ser de 5% do consumo a cada instante. No caso do consumo máximo de janeiro de 2014 da ordem de 84 mil MW, essa reserva deveria ser de 4.200 MW."Como esse valor é uma ordem de grandeza menor do que a diferença entre potência instalada total do SIN - cerca de 120 mil MW - e a demanda máxima, nunca ocorreu aos especialistas do setor que o ONS tivesse dificuldades para atingir os requisitos mínimos de reserva girante", alertou a PSR. No entanto, em diversas ocasiões ao longo de janeiro a consultoria constatou que a reserva girante foi muito menor do que o limite mínimo. Em 29 de janeiro, por exemplo, o total da reserva girante foi 680 MW, menos de 1% da carga total do sistema. "Este nível extremamente baixo de reserva é alarmante, pois torna o sistema vulnerável a blecautes sistêmicos", afirmou a PSR, que ainda não conseguiu identificar a causa do problema.A segurança do setor elétrico estará no centro das discussões do Fórum Agenda Setorial 2014: Regulação e Mercado, que acontecerá no dia 13 de março, e também do 4º Workshop PSR/CanalEnergia: segurança de suprimento, riscos comerciais e propostas de aperfeiçoamento para o biênio 2014/2015, que será realizado no dia 14 de março. Os interessados em participar dos eventos, realizados pelo Grupo CanalEnergia, já podem fazer sua inscrição.

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